° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

Canal "Exército de Lula" já tem mais de 2 milhões no WhatsApp e aposta em virada nas urnas

Em Brasília, o presidente lançou QG com influenciadores e jovens eleitos nesta quarta (7)

Por Guto Moraes

Lula (PT) fala ao lado da parlamentar recém-eleita Ana Elisa (PT-MG), fenômeno na internet aos 21 anos

A esquerda luta contra o tempo para alterar a fotografia do primeiro turno das eleições, realizado no domingo (4). Atrás de Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta recuperar terreno em um território no qual a direita consolidou sua força: o digital. A ofensiva reúne iniciativas da campanha petista, a mobilização de influenciadores e uma iniciativa do deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG), que já arregimentou mais de 2 milhões de pessoas no WhatsApp.

A corrida de Janones para virar votos começou menos de 48 horas após Lula encerrar o primeiro turno com uma desvantagem superior a dois milhões de votos em relação a Flávio Bolsonaro. "Não vou mais ficar esperando a campanha, temos três semanas para virar a eleição. Todos me ouvem, nada acontece", reclamou à Folha de S.Paulo. Batizado de "Exército de Lula", o canal busca ampliar o alcance da esquerda nas redes sociais e disputar espaço com a direita no segundo turno.

Desde o anúncio do que inicialmente chamou de "Exército digital", Janones tem atraído a adesão da militância de esquerda. Em apenas 24 horas, o canal no WhatsApp reunia 500 mil inscritos. Nesta quarta-feira (7), já havia ultrapassado a marca de 2 milhões. A 18 dias da definição da Presidência da República, o deputado não poupou críticas à estratégia digital adotada pelo PT, que classificou como "campanha fofa", ao defender uma "guerra digital".

O QG virtual proposto pelo congressista teve início ainda no primeiro turno eleitoral e reuniu cerca de 50 mil pessoas. De acordo com a Folha de S.Paulo, o canal servia para a troca de ideias, mas acabou incorporando outra lógica de funcionamento, como o recrutamento de integrantes - com a orientação de que cada membro convidasse mais três pessoas - e o envio de áudios com orientações.

"Tomou uma proporção maior do que eu imaginava", disse o congressista, que ambiciona alcançar a marca de 2 milhões de participantes ou até triplicá-la. A ideia, segundo ele, vai além da ampliação da capilaridade. Ele fala em reorganizar a partir de postagens coordenadas, no encalço do que a direita domina desde 2018. André Janones foi eleito em MG com 78.780 votos. O campeão foi o bolsonarista Nikolas Ferreira, com mais de 1 milhão de eleitores.

Nas ruas e além delas

As críticas à atuação da esquerda e do Partido dos Trabalhadores (PT) nas redes sociais têm se acumulado desde o fim do primeiro turno. O próprio presidente reconheceu a inabilidade da sua equipe nesta quarta-feira (7). "Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Poderíamos ter feito mais. Essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989", declarou Lula, no lançamento de um QG com jovens eleitos e influenciadores.

Dirigentes do PT chegaram a responsabilizar o ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, por parte dos problemas. Quase um mês antes do primeiro turno das eleições, o presidente do PT, Edinho Silva, reconheceu um erro estratégico: a produção e distribuição do material de campanha de Lula.

Na força-tarefa digital, ele tem aderido à sugestão de aliados no esforço de um melhor desempenho do petista nas redes sociais. Lula e o seu vice-presidente Geraldo Alckmin passaram a publicar vídeos em formato de selfie, por sugestão de Rafael Fonteles (PT), governador reeleito no Piauí. Somente nesta quarta, o presidente já havia publicado nove vídeos falando diretamente para a câmera.

Dentre os nomes que incorporam a corrida para equilibrar o controle da narrativa digital, figuram deputados federais eleitos no domingo, como o pernambucano Jones Manoel (Psol-PE), a mineira Ana Elisa (PT-MG), eleita aos 21 anos, e o paulistano Guilherme Cortez (PT-SP). "A governança algorítmica das big techs não é neutra",reclamouo parlamentar eleito Jones Manoel, em denúcia ao favorecimento de perfis de direita nas plataformas e boicotes dos perfis de esquerda.

Nikolas ironiza

O deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG) ironizou a nova estratégia digital da campanha petista. "Agora vai", afirmou, em referência aos vídeos gravados pelo presidente. "A estratégia digital do Lula hoje foi gravar vídeo selfie", provocou.

O parlamentar também comparou o alcance das publicações. "Fiz um vídeo ontem deitado na cama e deu 40 milhões de visualizações".Para Nikolas, as dificuldades da esquerda nas redes sociais vão além do formato das publicações. "A nossa vitória nas redes se dá não só porque a esquerda está com uma embalagem vencida, mas um discurso fracassado. E pode chamar quem for porque não vai adiantar", afirmou.

A diferença de alcance entre os dois também aparece no número de seguidores no Instagram. Nikolas contabiliza 22,8 milhões, enquanto Lula reúne 16,1 milhões na plataforma.