Flávio Bolsonaro e Lula vão disputar segundo turno para presidente
Com 99% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro tinha 47,14% dos votos, e Lula, 45,03%
O senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno das eleições presidenciais na liderança neste domingo (4), e enfrentará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Sem que nenhum dos dois alcançasse a maioria necessária para vencer a disputa, a decisão sobre quem comandará o país pelos próximos quatro anos ficou para 25 de outubro.
Com 99% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro tinha 47,14% dos votos, e Lula, 45,03%.
A dianteira de Flávio coloca o candidato do PL em vantagem na largada da etapa decisiva e impõe a Lula o desafio de reverter o resultado do primeiro turno para conquistar um quarto mandato presidencial. Ao mesmo tempo, a soma dos votos dos candidatos eliminados abre uma nova disputa por apoios e impede que o resultado deste domingo seja projetado automaticamente para o confronto final.
O segundo turno prolonga por mais três semanas uma eleição que colocou novamente PT e bolsonarismo frente a frente pelo comando do país. Desta vez, porém, Flávio ocupa o espaço que pertenceu ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado por Lula em 2022.
A corrida presidencial chega à etapa decisiva após uma campanha marcada pela polarização e atravessada pelo caso do Banco Master, pela crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e pelos desdobramentos do escândalo das fraudes em aposentadorias e pensões do INSS.
Flávio larga na frente
O resultado deste domingo dá a Flávio uma vantagem inédita em sua trajetória política. Aos 45 anos e em sua primeira disputa pela Presidência, o senador chega ao segundo turno tendo recebido mais votos do que Lula, que ocupa o Palácio do Planalto e buscava encerrar a eleição já na primeira votação.
A liderança, no entanto, não encerra a disputa. Os dois candidatos precisarão agora avançar sobre uma parcela do eleitorado que não esteve com nenhum deles no primeiro turno.
Os 7,85% conquistados pelos demais candidatos passam a ocupar o centro das articulações políticas. Declarações de apoio, neutralidades e alianças nacionais e estaduais devem marcar os primeiros dias da nova fase da campanha.
Flávio tentará transformar a liderança conquistada neste domingo em maioria. Lula precisará reduzir a diferença e conquistar eleitores que rejeitaram sua candidatura no primeiro turno.
Lula x Bolsonaro, quatro anos depois
O segundo turno reedita o confronto político que decidiu a eleição presidencial de 2022, mas com uma mudança de personagem — e, desta vez, com o candidato do bolsonarismo saindo na frente da primeira votação.
Há quatro anos, Lula derrotou Jair Bolsonaro por uma margem estreita. O petista recebeu 50,90% dos votos válidos, contra 49,10% do então presidente. A diferença foi de pouco mais de dois milhões de votos, a menor registrada em uma eleição presidencial desde a redemocratização.
Agora, será Flávio quem carregará o sobrenome Bolsonaro na urna contra Lula.
O resultado do primeiro turno consolida o senador como sucessor eleitoral do pai e acrescenta um novo capítulo ao confronto entre os dois campos políticos que ocupam o centro da política brasileira desde 2018.
Para Lula, o segundo turno vale a permanência no Palácio do Planalto por mais quatro anos e a conquista de um quarto mandato presidencial.
Para Flávio, representa a possibilidade de devolver à família Bolsonaro o comando do Executivo apenas quatro anos depois da derrota do pai — desta vez chegando à etapa final como o candidato mais votado no primeiro turno.
Master, STF e INSS atravessaram campanha
A disputa que chega ao segundo turno foi marcada por temas que colocaram governo, oposição e instituições sob pressão.
O caso do Banco Master entrou diretamente na eleição e provocou uma troca de acusações entre os candidatos. Flávio também enfrentou questionamentos sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição financeira.
O senador confirmou ter procurado Vorcaro em busca de recursos privados para financiar “Dark Horse”, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, mas negou ter recebido dinheiro ou oferecido qualquer tipo de contrapartida ao empresário.
A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal também ganhou espaço crescente na corrida presidencial. Flávio endureceu o discurso contra a Corte, enquanto Lula buscou colocar a defesa das instituições no centro do embate contra o bolsonarismo.
Outro tema explorado durante a campanha foi o escândalo das fraudes em aposentadorias e pensões do INSS. O assunto também projetou Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice na chapa de Flávio, que atuou como relator da CPMI criada para investigar o esquema.
Os três assuntos chegam vivos ao segundo turno e devem continuar alimentando o confronto entre as duas campanhas.