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Deepfakes: 34% atacam Lula e 40% favorecem Flávio, indica levantamento

Durante campanha do primeiro turno, cerca de 554 vídeos e imagens falsas foram publicadas nas redes sociais

Por Guto Moraes e Agência Brasil

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o candidato Flávio Bolsonaro

Pelo menos 554 vídeos e imagens do tipo deepfake foram publicados nas redes sociais durante a campanha do primeiro turno das eleições gerais de 2026. O cenário nacional foi o mais explorado com a tecnologia que utiliza inteligência artificial para falsear situações e declarações.

Dentre os perfis publicadores, 29 deles eram de candidatos ou partidos, o que pode gerar sanções. A principal figura retratada foi a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, que aparece em 379 publicações falsas, seguido pelo senador e candidato Flávio Bolsonaro, com 190 aparições.

Os números são resultado de um levantamento do projeto VigIA, da agência de checagem Lupa, que monitora o uso de IA no pleito. De acordo com o monitoramento, 39% das publicações eram de cunho humorístico ou satirizavam o presidente Lula. Outros 34% buscavam atacar diretamente o petista.

Já entre as publicações com o senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL), 40% buscavam favorecê-lo e 28% traziam conteúdo humorístico ou satírico. A grande maioria dos publicadores era de usuários comuns, com 47% deles dentro desse perfil. Já 24,5% foram de contas oficiais das candidaturas.

Outro percentual é o de perfis não identificados ou desconhecidos, que contabilizaram 27% dos casos verificados. Deepfakes são conteúdos produzidos ou editados com ferramentas de IA a partir da imagem de uma pessoa real, manipulada de forma que ela apareça falando frases ou realizando atos que não são reais.

Regras e limites

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu essas publicações, que podem acarretar até a cassação da candidatura ou do mandato, mas também ressalvou que, para isso, elas devem estar caracterizadas como propaganda política e apresentar verossimilhança capaz de enganar o eleitor.

O uso de IA é permitido desde que as peças criadas ou manipuladas com o auxílio dessas ferramentas sejam sinalizadas. Dos 920 conteúdos identificados, apenas 371 estavam devidamente rotulados como material feito com IA, cerca de 40%. Considerando as 549 publicações irregulares, 75 foram feitas por candidatos ou partidos.