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Lula diz não lembrar se ganhou uísque de Vorcaro: "Se deu, já bebi"

Segundo conversas reveladas pelo jornal O Globo, o advogado Walfrido Warde mencionou tentativas de aproximar Vorcaro do presidente da República e citou o presente dado pelo banqueiro

Por Diario de Pernambuco e Estadão Conteúdo

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou não lembrar se ganhou uísque de presente do banqueiro Daniel Vorcaro. "Não sei se deu, mas se deu já bebi", declarou em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, na noite deste domingo (27), pela BandNews TV. "Eu não fico contando quem me dá uísque, eu ganho muita coisa", afirmou Lula.

Segundo conversas reveladas pelo jornal O Globo, o advogado Walfrido Warde mencionou tentativas de aproximar Vorcaro do presidente da República e citou o presente dado pelo banqueiro na reunião que teve com Lula no Palácio do Planalto.

Warde advogou para Vorcaro até o início deste ano e tem relação próxima com políticos do PT. "Querido, estive com o PR hoje. Ele me perguntou se você estava bem e mais tranquilo. Eu lhe disse que sim. Ele agradeceu mais uma vez o whisky e mandou um abraço. Outros detalhes eu conto pessoalmente", diz uma das mensagens.

Eleições

O presidente disse achar que vai ganhar as eleições no primeiro turno no próximo domingo (4). "Estou com a leve impressão de que não haverá segundo turno", afirmou.

As pesquisas eleitorais mais recentes têm mostrado Lula e o seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), empatados tecnicamente no primeiro turno.

"Eu acho que vai ser simples a escolha do povo. É o seguinte: pense primeiro no mundo que você quer. Depois, no candidato que você quer. Por isso eu acho que vamos ganhar a eleição no primeiro turno", afirmou Lula.

Trump

O petista também avaliou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, "faz o que quiser" diante do derretimento da autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Mundial do Comércio (OMC).

"O mundo está acéfalo, sem liderança. Não funciona mais a ONU, não funciona mais a OMC. É uma nau sem rumo. Do ponto de vista econômico, o Trump faz o que quiser. Ninguém faz nada, a não ser o Brasil e o Canadá", disse Lula.

Lulinha

O presidente voltou a dizer que o seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, está "à disposição da Justiça" e que não fez "um único gesto" para protegê-lo das investigações da Polícia Federal (PF).

O ex-chefe de gabinete do petista, Marco Aurélio Santana Ribeiro conhecido como Marcola, admitiu ter recebido dinheiro da empresária e lobista Roberta Luchsinger, que prestou serviços para o Careca do INSS. Ele alega que foi um empréstimo pessoal.

Já Lulinha é investigado pela Polícia Federal (PF) por suposto tráfico de influência no governo em associação a Luchsinger, de quem é amigo. Na entrevista, Lula disse duvidar que seu filho tenha falado diretamente com o diretor da Petrobras ou com algum ministro. "Eu não levo 100% a sério o fato de ter um telefonema. Eu quero saber na prática. Por isso, o meu filho tem que ser investigado. E vai ser investigado. E jamais haverá um gesto meu pedindo proteção. Duvido que o meu filho tenha falado com o diretor da Petrobras, que tenha falado com algum ministro."

Lula disse estar preocupado com o filho, mas afirmou também estar atento ao golpe bilionário do Banco Master. "Envolve muita gente da política e envolve gente da Suprema Corte", declarou.

Bolsa Família

O presidente afirmou ainda que seu governo aumentou o Bolsa Família em 15% porque "sobrou espaço fiscal" e porque a reposição inflacionária não havia sido feita nos últimos anos.

"Se isso vai ser eleitoreiro ou não, o que importa para mim? O que importa é que o povo não pode ir para o sacrifício por causa da eleição", ressaltou Lula.

Previdência

O presidente afirmou também que seu governo poderá fazer uma reforma da Previdência caso seja necessário e disse que o crescimento econômico é o que garantirá recursos para financiar a seguridade social. "Se precisar, vamos fazer. Se não precisar, não vamos", declarou.

"Precisamos encontrar um jeito de financiar a Previdência. Nós já fizemos uma reforma do setor público em 2003, agora foi feita outra reforma. Agora o que vai fazer a Previdência ter dinheiro é o crescimento econômico", disse ele.

Lula ainda garantiu que a dívida vai diminuir em relação ao PIB. "Só não me peçam para cortar benefício do povo pobre, que vai ser mantido", destacou.

Com informações do Estadão Conteúdo.