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Conselho do MPF tem maioria para não afastar Gonet do caso Master

Placar é de 3x2 para que procurador-geral da República não seja investigado preliminarmente por relação com Vorcaro

Por Correio Braziliense

Procurador-geral da República, Paulo Gonet, é alvo de questionamentos no Conselho Superior do Ministério Público Federal

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) formou maioria, nesta sexta-feira (25), contra o afastamento do procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, das apurações relacionadas ao Banco Master.

O relator, subprocurador-geral da República Francisco Sanseverino votou nesse sentido e foi acompanhado por Janice Agostinho Barreto Ascari, Celso de Albuquerque Silva, Samantha Chantal Dobrowolski e Alexandre Camanho de Assis. O placar é de 5x0.

No entanto, o placar ainda é de 3x2 pela não abertura de uma investigação sobre a atuação de Gonet nas apurações relacionadas ao Banco Master.

A conselheira Janice Agostinho abriu divergência e votou pela designação de um subprocurador para abrir um procedimento para apurar, preliminarmente, as relações entre Gonet e Vorcaro. “Fatos demandam esclarecimentos”, pontuou.

Ela foi acompanhada por Samantha Chantal Dobrowolski, que defendeu que Gonet deveria ter se declarado impedido na investigação do caso, tendo em vista que ele é citado nos autos.

“O PGR não tinha o direito de ser promotor de si próprio ao se deparar com elementos dando conta da sua pessoa. Quem está de alguma forma ligada à investigação, para além de sujeito processual, ele estava incompatibilizado e impedido na causa”, apontou.

Ela ainda relembrou que Gonet pediu anulação de relatório da Polícia Federal sobre contatos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Ele estava mencionado nos fatos da investigação, e mesmo assim pediu a nulidade absoluta daqueles autos, seja para tornar nulos os elementos que tratavam dele, seja os que tratavam de outras pessoas”, afirmou.

O julgamento

O Conselho analisa uma notícia-crime apresentada pelo partido Novo, que cita mensagens obtidas pela Polícia Federal atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro nas quais o nome de Gonet é mencionado.

Além disso, foram apreciados outros fatos, como a fotografia em que o PGR e o banqueiro aparecem juntos, manifestação do PGR em caso do Master, a participação em evento em Londres e a ligação telefônica entre o advogado Ciro Soares e Vorcaro, na qual Gonet participou.

“Não podemos analisar a participação de 2024, quando não se tinha ciência de irregularidade, com os olhos de 2026, quando se tem ciência”, defendeu Celso Silva, sobre a participação no evento I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, que teve patrocínio do Banco Master.

Os subprocuradores minimizaram os eventos analisados e destacaram que os autos não comprovam uma “relação íntima” e de beneficiamento entre os dois e que não existem elementos mínimos para a abertura da investigação contra Gonet.

Eles apontaram não haver “comunicação direta” entre Vorcaro e Gonet nas mensagens analisadas, mas apenas menções ao PGR em mensagens trocadas entre Vorcaro e o advogado Ciro Soares.