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Candidato ao Senado em MT admite ter dito que seu "eleitor bebe detergente"

Declaração ocorre após o vazamento de áudio que teria sido enviado por Medeiros ao prefeito de Diamantino, Chico Mendes, irmão do ministro Gilmar Mendes

Por Estadão Conteúdo

Medeiros é o candidato ao Senado em Mato Grosso, apoiado pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL)

O deputado federal e candidato ao Senado por Mato Grosso, José Medeiros (PL), admitiu em publicações nas redes sociais ter dito que seu eleitor "bebe detergente". Em vídeo publicado nesta quinta-feira (24), Medeiros minimizou a fala, alegando ser uma "piada antiga sem graça tirada de contexto". "Nós bolsonaristas somos rotulados de beber detergente e rezar pra E.T. Mas fazemos mais que isso. A gente também vai pra Brasília, em vez de ir pra Lisboa participar do 'gilmarpalooza', a gente também come pão com leite moça em vez de lagosta e whisky comprados com o dinheiro dos velhinhos do INSS, a gente também acampa na frente de quartel em vez de se hospedar em hotéis de luxo na Europa pago com o dinheiro do povo de Mato Grosso", afirmou Medeiros.

A declaração do deputado ocorre após o vazamento de áudio que teria sido enviado por Medeiros ao prefeito de Diamantino, Chico Mendes, irmão do ministro Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. "Você sabe que o meu eleitor é aquele eleitor que ora para alienígena e bebe detergente, né? Esse eleitor, Chico", disse o deputado bolsonarista no áudio.

Medeiros afirmou no vídeo desta quinta que é "homem para reconhecer" a fala e que "faz piadas o tempo todo". "Essa piada é antiga e muita gente ouviu. A pergunta que é preciso ser feita é se esse áudio foi editado e se eu cometi algum crime de corrupção, se desviei verba, se fui investigado em CPI ou tenho alguma ligação com o Lula ou a quadrilha do PT. Eu não vou nem pedir desculpa pelo que eu falei, porque se tem uma coisa que nós bolsonaristas também não fazemos, é arregar e usar a estratégia do 'quem me conhece sabe'", acrescentou o deputado. "E sobre a frase, faltou o mais importante: o detergente que a gente bebe é Ypê", concluiu o deputado, em referência aos protestos realizados por bolsonaristas em maio deste ano após a Anvisa ter suspendido produtos da marca por irregularidades na produção.

Na sequência, Medeiros ataca os adversários na disputa pelo Senado em Mato Grosso, com acusações sem apresentação de provas, e diz ser o único apoiado pela família Bolsonaro e afirma que denúncias contra seu nome são "ciladas dos inimigos". "Que estão fazendo o diabo para impedir a eleição do único candidato apoiado pelo Jair Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro em Mato Grosso", argumentou.

Em outro áudio direcionado a Chico Mendes, Medeiros afirma que não ataca o Supremo Tribunal Federal. "Uma coisa que eu não tenho feito, por exemplo, eu não ataco o STF, viu, Chico. Meu marketing aqui tinha feito um negócio, eu falei: 'Olha, quero que corte tudo'. Eu não leio um texto para gravação que tenha qualquer coisa mencionando o STF. Falei 'se vocês pedirem para eu esculhambar com Alexandre de Moraes, pode me ligar até no meio da noite, que eu faço isso, mas não me peça para falar de outros ministros e tal", afirmou Medeiros na conversa.

Na quarta-feira (23), Medeiros confirmou em vídeo publicado nas redes sociais encontro com o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Segundo Medeiros, ele procurou o ministro para esclarecimento se haveria operação envolvendo o seu nome.

Medeiros é o candidato ao Senado em Mato Grosso apoiado pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e diz ter sido escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para concorrer ao cargo.