° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

Movimentos de mulheres fazem protesto no Palácio após fala de Raquel sobre laqueadura

Ato público contra a fala de Raquel Lyra (PSD) sobre laqueadura aconteceu nos arredores do Palácio do Campo das Princesas, no bairro de Santo Antônio, no Centro do Recife

Por Nicolle Gomes

Protesto aconteceu na tarde desta segunda-feira (21)

A declaração da governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) sugerindo que uma mulher fosse submetida a uma laqueadura “sem ela saber” levou manifestantes às ruas do Centro do Recife nesta segunda-feira (21). Convocado pela Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, o ato ocorreu nos arredores do Palácio do Campo das Princesas e reuniu mulheres em defesa da autonomia reprodutiva e contra a violência obstétrica.

Um vídeo da candidata à reeleição incentivando que uma mulher passe por laqueadura sem saber foi amplamente compartilhado nas redes sociais neste domingo (20). “Mas faz sem ela saber. Vai.”, disse a governadora, sobre o procedimento. A fala gerou críticas da oposição e desencadeou o protesto desta segunda. Mulheres se reuniram com cartazes repudiando a situação e cobrando ações estaduais de proteção e combate à violência obstétrica.

“Senti muita surpresa e tristeza. Como é que uma governadora mulher faz esse tipo de declaração? E o pior não é só apoiar esse tipo de coisa, mas é declarar, é falar abertamente, um total absurdo", disse a advogada Ester Vilela, de 33 anos, que participou da manifestação.

A candidata à reeleição pediu desculpas em vídeo publicado nas redes sociais e também durante uma sabatina nesta segunda, mas, mesmo assim, tem sido alvo de críticas. "Eu acho que não basta só se desculpar, porque, se a gente for olhar para as políticas públicas para as mulheres, a gente vê que não teve avanço em relação às delegacias 24 horas para mulher, e na saúde, não tem muito avanço para as mulheres", opinou Ester.

A laqueadura é um método contraceptivo que funciona a partir do fechamento ou remoção das trompas. O procedimento é considerado de difícil reversão. A realização sem consentimento da mulher é crime, conforme prevê a Lei 9.263/1996 (Lei do Planejamento Familiar).

Violência obstétrica

Em Pernambuco, a Lei 18.437/2023 estabelece medidas de proteção à gestante, à parturiente e à puérpera contra a violência obstétrica e prevê a produção e o encaminhamento de relatórios sobre violência obstétrica no estado à Comissão de Cidadania, Direitos Humanos e Participação Popular (CCDHPP) da Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco (Alepe).

Uma das autoras da lei, a deputada Dani Portela, também esteve no protesto e comentou sobre a execução da legislação.

“Essa lei obriga que a Secretaria de Saúde do Governo do Estado envie para a Comissão de Direitos Humanos e para a Comissão da Mulher um relatório semestral em relação ao número de partos, à mortalidade, ao número de laqueaduras. Isso nunca foi feito. Então, não é só pedir desculpa. Qual é a prioridade que as mulheres têm no estado de Pernambuco?”, afirmou Dani Portela.