Entenda como a crise entre STF e PF chegou ao afastamento de Andrei Rodrigues
Liminar é o desfecho mais recente de uma crise que já dura mais de uma semana e que também atinge outros ministros da Corte, o procurador-geral da República e a cúpula da PF
O afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado nesta terça-feira (8) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), é o desfecho mais recente de uma crise que se arrasta há mais de uma semana e atinge ministros da Corte, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a cúpula da PF.
A origem está nas investigações do caso Banco Master, mas o conflito escalou para uma disputa institucional sobre relatórios de inteligência, sigilo e possível monitoramento de autoridades. Entenda, ponto a ponto, como o caso evoluiu:
Fevereiro de 2026 - Mendonça assume relatoria no STF:
O ministro André Mendonça assume a condução do caso Banco Master após o afastamento voluntário do antigo relator, Dias Toffoli, em meio a apurações envolvendo um resort da família e indícios de ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro. Em suas primeiras decisões, Mendonça restringe o acesso do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, às informações do inquérito.
27 de agosto - Relatório cita contatos de Moraes com Vorcaro:
A PF encaminha a Mendonça uma Informação de Polícia Judiciária de Análise produzida a partir do celular de Vorcaro, apreendido em fase anterior. O documento aponta que o aparelho continha quatro registros vinculados a um mesmo número de telefone associado a Alexandre de Moraes, linha que teria sido repassada ao banqueiro pelo ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, em dezembro de 2023.
1º de setembro - Queda de sigilo:
Mendonça retira o sigilo do relatório e expõe os diálogos. Parlamentares de oposição enviam ofício ao Palácio do Planalto pedindo o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da PF. Rodrigues reúne a cúpula da corporação e classifica a condução de Mendonça como "abuso de poder".
2 de setembro - Representações no STF e queixa-crime:
O partido Novo protocola no STF uma petição solicitando que Mendonça adote medidas para preservar a independência das investigações, incluindo o afastamento cautelar de Rodrigues. Paralelamente, líderes da oposição protocolam queixa-crime contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e pedem o afastamento de Moraes.
3 de setembro - Pedidos de prisões e investigações:
O Novo eleva a representação e pede a prisão preventiva de Andrei Rodrigues. No mesmo dia, Moraes envia ao presidente do STF, Edson Fachin, uma notícia-crime contra Mendonça por suposto abuso de autoridade, improbidade e crime de responsabilidade, anexando relatório da PF que apontava ter Mendonça cogitado afastar Rodrigues por "proximidade inadequada" com o Executivo.
Mendonça reage e pede o afastamento imediato de Moraes. Fachin dá prazo de cinco dias para manifestação de todos os envolvidos.
4 de setembro - Negativa por parte de Andrei Rodrigues:
Andrei Rodrigues nega publicamente, em entrevista ao SBT News, ter repassado informações sigilosas da PF a Lula.
8 de setembro - Afastamento da cúpula da PF:
Em decisão monocrática e de ofício (sem provocação das partes), Mendonça determina o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa.
O ministro afirma ter sido alvo de monitoramento sistemático pela inteligência da PF por mais de 30 dias e ordena a abertura de apurações criminal e disciplinar pela Corregedoria. A decisão é submetida ao plenário virtual da Segunda Turma do STF para referendo.
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