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Em carta a Fachin, ministros aposentados pedem apuração de 'gravíssimos fatos' no STF

No documento, divulgado no Dia da Independência do Brasil, os juristas afirmam que o tribunal enfrenta a "mais aguda crise de sua história" e pedem uma "rigorosa apuração" dos fatos

Por Diario de Pernambuco

Ministro Fachin afirmou que os penduricalhos são uma "questão tormentosa"

Treze ministros aposentados do Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo a ex-presidente do plenário Rosa Weber, enviaram uma carta ao atual presidente da Corte, Edson Fachin, nesta segunda-feira (7). No documento, divulgado no Dia da Independência do Brasil, os juristas afirmam que o tribunal enfrenta a "mais aguda crise de sua história" e pedem uma "rigorosa apuração" dos fatos, sugerindo a convocação de uma sessão pública para debater as suspeitas que envolvem integrantes do STF.

“Os ministros aposentados e ex-presidentes, abaixo-assinados, vêm manifestar plena confiança na seriedade, discernimento e firmeza de Vossa Excelência na condução dessa Suprema Corte, na mais aguda crise de sua história”, diz um trecho do documento, publicado pelo jornal O Globo.

Os ex-integrantes do tribunal expressaram "absoluta convicção" de que Fachin convocará uma sessão pública para que a Corte determine uma "imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal".

Leia a íntegra da carta

"A S. Exª o Ministro Edson Fachin,

Presidente do Supremo Tribunal Federal.

Sr. Ministro Presidente, Os ministros aposentados e ex-presidentes, abaixo assinados, vêm manifestar plena confiança na seriedade, discernimento e firmeza de V. Exª na condução dessa Suprema Corte, na mais aguda crise de sua história, e a absoluta convicção de que V. Exª designará, com toda a urgência, sessão pública para que o Pleno determine imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal, dos gravíssimos fatos cuja divulgação vem comprometendo o prestígio e a autoridade desse Tribunal, a confiança do povo e até a estabilidade das instituições democráticas."

Confira os ex-ministros que assinaram o documento:

  1. Rosa Weber
  2. Nelson Jobim
  3. Ellen Gracie
  4. Cezar Peluso
  5. Ayres Britto
  6. Joaquim Barbosa
  7. Eros Grau
  8. Néri da Silveira
  9. Francisco Rezek
  10. Sydney Sanches
  11. Celso de Mello
  12. Carlos Velloso
  13. Ilmar Galvão

Resposta institucional à crise no STF será proporcional e rigorosa, diz Fachin

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, disse na última sexta-feira (4), que os fatos da crise deflagrada entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes na última semana estão sendo apurados. Segundo ele, "não haverá precipitação, mas tampouco omissão". O ministro destacou ainda que a resposta da Corte "será firme, proporcional e rigorosa".

"Faremos o que é certo, no tempo e pela forma que a ordem jurídica exige. Instituições precisam ser preservadas, sobretudo nos momentos de maior tensão", destacou, em discurso feito no Palácio do Planalto em cerimônia de sanção de medidas relacionadas a fundos do sistema de Justiça. O evento tem também a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Nenhuma autoridade está acima da Constituição Federal. Nenhum Poder está acima da lei e nenhum interesse circunstancial pode se sobrepor à integridade do Estado democrático de direito. A gravidade dos fatos não autoriza atalhos. Ao contrário, quanto maior o desafio, maior deve ser compromisso com a legalidade, o devido processo e as garantias constitucionais", afirmou.

Ele ainda ressaltou que os acontecimentos recentes demonstram o "acerto e a urgência" das metas da sua gestão: a adoção de um código de ética, o fim do inquérito das fake news e a modernização do sistema de Justiça.