Raquel e João trocam acusações sobre "gabinetes do ódio" em campanhas
Governadora apontou disputa do 'amor contra o ódio', enquanto ex-prefeito relembrou episódio durante gestão municipal
Os candidatos Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB), principais concorrentes ao Governo de Pernambuco segundo as pesquisas recentes, vêm trocando acusações sobre possíveis condutas desleais praticadas no processo eleitoral deste ano. Em entrevista ao jornal O Globo divulgada nesta segunda-feira (24), ambos apontaram a existência de supostos gabinetes do ódio, operados por adversários, que estariam propagando notícias falsas nas redes sociais.
Questionada sobre o acirramento numérico demonstrado nas últimas pesquisas, Raquel fez questão de ressaltar que o pleito se trata de uma disputa do “amor contra o ódio”. “Ao longo de três anos e meio, arrumamos a casa; o estado estava sem capacidade de investimento algum. Tomamos decisões difíceis e duras, porque não sou mulher de fazer atalhos, mas estamos fazendo o estado voltar a ser protagonista de sua história. É claro que não está tudo perfeito, mas entregamos muito. É uma campanha de amor contra o ódio, com muita propagação de fake news e um nível muito baixo de discussão”, apontou.
De acordo com a governadora e candidata à reeleição, sua gestão vem sendo alvo de perseguição e as ações têm a ciência da Justiça Eleitoral. “Fizeram CPIs e pedidos de impeachment, mesmo eu sendo uma governadora honesta, trabalhadora e que entrega, que não está aqui para se satisfazer do poder. Denunciei ao Tribunal Regional Eleitoral o uso de robotização, com indícios muito claros da existência de um gabinete do ódio com perfis para divulgar fake news sobre mim. Nossa campanha vem judicializando isso”, declarou.
João, por sua vez, alegou que uma organização teria sido montada logo após o início do seu segundo mandato à frente da Prefeitura do Recife. O socialista utilizou como exemplo o episódio em que a Polícia Civil de Pernambuco foi acusada de monitorar ilegalmente servidores da gestão municipal.
“Há quase dois anos, o que existe é um gabinete do ódio liderado pela oposição a mim, ligada ao governo do estado, que passa manhã, tarde e noite me atacando nas redes sociais, com direito a deepfakes. Depois que fui reeleito, montou-se essa estrutura. Denunciei há mais de um ano e meio. Abriu-se até CPI na Assembleia, isso foi denunciado à Polícia Federal, ao Supremo Tribunal Federal, e há inquérito em curso investigando pessoas ligadas ao governo”, afirmou.
“São mais de 90 ações no TRE, com êxito de mais de 80% a meu favor. Há uma tentativa clara de mudança de retórica, que é uma prática da extrema direita e da direita para mudar os fatos”, completou Campos.