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"Teve benefício próprio", aponta Álvaro Porto ao comentar pedido de impeachment de Priscila Krause

Álvaro Porto afirmou que vai solicitar parecer da Procuradoria da Alepe para definir o encaminhamento da denúncia contra Priscila Krause

Por Alexandre Cunha e Guto Moraes

Presidente da Alepe admite movimentação política por trás do pedido de impeachment, mas critica repasses que teriam sido autorizados por Priscila Krause

O presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Álvaro Porto (MDB), afirmou neste domingo (23) que houve “benefício próprio” em repasses de recursos realizados pela vice-governadora Priscila Krause (PSD) no período que assumiu interinamente o Governo de Pernambuco. A declaração foi feita após questionamento do Diario se houve intenção política no pedido de impeachment apresentado contra a vice-governadora e que deverá ser analisado pela Casa.

“É claro que tem movimentação política, mas o que a gente está vendo é o que o DenaSUS confirmou com a fiscalização. A gente sabe das transferências que foram feitas através da vice-governadora quando ela assumiu o governo, onde todo mundo sabe que teve um benefício próprio, teve um benefício de dinheiro repassado para o hospital do seu marido”, afirmou Porto.

O deputado se refere à auditoria do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS), vinculado ao Ministério da Saúde, que identificou inconsistências na prestação de serviços de oncologia, UTI e hemodiálise contratados pela Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES-PE) com a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, no Agreste pernambucano. A unidade de saúde tem como um dos sócios Jorge Branco Neto, marido da vice-governadora de Pernambuco.

Apesar das críticas, o presidente da Alepe disse que ainda não teve acesso ao conteúdo do pedido de impeachment. Porto afirmou que pretende procurar a Procuradoria da Assembleia Legislativa para solicitar um parecer sobre o caso. A partir da manifestação do órgão jurídico, segundo ele, será definido o encaminhamento da denúncia.

“Eu ainda não vi. Esses dias eu estava no interior. Amanhã devo estar conversando com a Procuradoria da Casa. Vou pedir o parecer da Procuradoria para depois a gente ver qual vai ser o encaminhamento.

Críticas ao governo

Durante a entrevista, Álvaro Porto também ampliou as críticas à gestão de Raquel Lyra (PSD). O presidente da Alepe reclassificou a administração estadual como um “governo de fachada” e afirmou que obras e reformas anunciadas pelo Executivo não estariam correspondendo à realidade encontrada em diferentes áreas.

“A gente vê uma maquiagem total do governo, tanto nos hospitais, nas escolas. A gente está vendo as estradas de Pernambuco que vêm dizendo que estão sendo construídas, mas quando chove é uma estrada de Sonrisal”, alfinetou.

Para Porto, a gestão estadual já teve tempo suficiente para apresentar resultados e não deveria continuar atribuindo os problemas encontrados à administração anterior. “Eu acho que já deu tempo demais de arrumar a casa”, declarou.