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Nova pesquisa Quaest será teste para medir efeitos de turbulências políticas, diz especialista

Para o cientista político Paulo Ramirez, investigações sobre o caso Dark Horse, tarifas americanas e debates sobre soberania nacional tendem a impactar o cenário presidencial de 2026

Por Mariana de Sousa

Lula e Flávio Bolsonaro.

A nova rodada da pesquisa Quaest para a corrida presidencial de 2026, prevista para ser divulgada nesta quarta-feira (10), deve funcionar como um termômetro dos efeitos da recente turbulência política envolvendo o entorno do bolsonarismo e o impacto da conjuntura econômica no eleitorado.

Para o cientista político Paulo Ramirez, um dos principais fatores que podem aparecer na pesquisa é o efeito político do caso “Dark Horse”, das controvérsias envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master e também dos novos tarifaços dos Estados Unidos contra produtos brasileiros.

“Não só pela questão do filme Dark Horse, assim como também o fato do Flávio Bolsonaro ter ido aos Estados Unidos e alguns dias depois dessa visita surgiram novos tarifaços contra a economia brasileira, isso tende a prejudicar a campanha de Flávio Bolsonaro”, afirmou.

Segundo Ramirez, esse movimento pode favorecer o discurso de soberania nacional utilizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Isso passa a enaltecer um sentimento de defesa da soberania nacional, que é algo que o Lula já começou a trabalhar. Como aconteceu no ano passado, que os tarifaços alavancaram a imagem de Lula, isso pode ter um efeito importante para a sua candidatura à reeleição”, disse.

Sobre o caso Dark Horse, o cientista político afirma que o impacto eleitoral dependerá diretamente do avanço das investigações e das possíveis delações envolvendo Daniel Vorcaro.

“Tudo vai depender das investigações, assim como também da delação do Vorcaro. Caso se descubra que o dinheiro de fato não foi utilizado apenas na elaboração do filme, mas também para financiar outros gastos da família Bolsonaro, isso tende a criar um grande problema”, avaliou.

Ramirez ressaltou que o problema não seria uma eventual doação privada para a produção audiovisual, mas a origem dos recursos e o possível uso do dinheiro para outras finalidades.

A narrativa da anticorrupção e o Pix

Na avaliação do cientista político, uma eventual confirmação das suspeitas sobre a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro criaria desgaste político para o pré-candidato, especialmente pelo discurso anticorrupção adotado pelo grupo.

“Os bolsonaristas batem sempre na tecla de que os petistas são corruptos e destruíram o país, mas ao mesmo tempo há esse paradoxo de que a própria família Bolsonaro estaria envolvida neste caso”, disse.

Outro tema citado por Ramirez é a questão do Pix, que, segundo ele, também pode influenciar a percepção do eleitorado mais moderado.

“Bolsonaro foi um dos grandes defensores do Pix e agir contra ele também cria uma situação um tanto delicada. Isso tende a distanciar esse eleitorado mais moderado que busca políticos mais ficha limpa ou pelo menos distantes de casos de fraudes e corrupção”, afirmou.

Para ele, a nova Quaest também deve indicar se Flávio Bolsonaro já atingiu o teto nas intenções de voto. “Talvez o Flávio Bolsonaro tenha alcançado já o ápice das intenções de voto nas pesquisas. E talvez agora seja a ladeira abaixo, graduais reduções das suas intenções”.

Segundo Ramirez, isso pode abrir espaço para outros nomes da direita crescerem no cenário presidencial. “Isso abre campo para que outros políticos de direita também possam ter alguma ascensão, já que o Flávio Bolsonaro não deverá ser apenas criticado pelos petistas, mas deverá haver também tiro amigo”, avaliou.

Além das intenções de voto, o cientista político considera que os índices de rejeição e os temas ligados à segurança pública merecem atenção especial nesta rodada. “A ideia é que o candidato que se dirigir mais ao centro tende a conquistar mais eleitores, que é quem vai decidir de fato essa eleição”.

Ele também afirmou que a disputa segue aberta, mesmo em caso de estabilidade nos números. “Lula ainda não se colocou na condição de candidato, mesmo porque ele é presidente e não pode falar tudo que poderia. E o Lula historicamente tem um desempenho em que, iniciada a campanha eleitoral, com seus discursos, sua eloquência, sua retórica, consegue atrair mais votos para si”, disse.

Para Ramirez, os próximos levantamentos serão importantes para mostrar se os recentes episódios envolvendo o bolsonarismo terão apenas impacto momentâneo ou se poderão alterar de forma mais consistente o cenário da eleição presidencial de 2026.