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Nunes Marques suspende pesquisa que apontou queda de Flávio Bolsonaro

Ministro atendeu a pedido do PL após apontar que questionário da AtlasIntel continha perguntas indutivas e áudio sem autenticidade comprovada entre Flávio e Daniel Vorcaro

Por Iago Mac Cord - Correio Braziliense

Segundo a decisão, a manutenção da pesquisa poderia causar danos de "difícil reversão" ao processo eleitoral devido à sua rápida replicação digital

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta segunda-feira (8/6), a suspensão imediata da divulgação e a retirada de circulação de uma pesquisa do Instituto AtlasIntel que indicava uma queda de cinco pontos percentuais nas intenções de voto do senador e pré-candidato a presidente da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após o vazamento de um áudio no qual ele pedia dinheiro para o banqueiro Daniel Vorcaro.

A decisão atende a um pedido do Partido Liberal (PL), que alega que o questionário foi estruturado para induzir respostas negativas e criar uma “narrativa acusatória” contra o parlamentar.

A fundamentação do ministro se baseou na “possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”. Entre os principais pontos críticos apontados pelo magistrado, destaca-se a estrutura do levantamento, na qual oito das 49 perguntas abordavam diretamente o Banco Master em ordem sequencial.

Segundo a argumentação do PL, aceita pelo ministro, essa disposição influenciou a percepção dos eleitores em vez de apenas medi-la.

Além disso, a pesquisa utilizou o áudio de uma conversa entre o senador e Vorcaro a respeito do financiamento do filme Dark Horse. O partido contestou o uso do material sob a alegação de que não há prova de sua autenticidade, o que inviabilizaria sua aplicação como estímulo em um levantamento oficial.

Ao analisar o conteúdo, Nunes Marques identificou o emprego de expressões com carga valorativa negativa e uma ordem sequencial de perguntas capaz de contaminar os resultados sobre imagem, rejeição e intenção de voto dos candidatos.

O ministro ressaltou ainda uma divergência de padrão no histórico do instituto, apontando que outras 27 pesquisas anteriores da AtlasIntel não apresentaram questionários com teor semelhante ou uso de áudios, o que reforçaria os indícios de comprometimento da neutralidade do estudo.

O levantamento do instituto possuía as seguintes especificações técnicas: 5.032 eleitores de todo o Brasil entrevistados; coleta realizada entre 13 e 18 de maio; margem de erro de um ponto percentual; e nível de confiança de 95%.

Pesquisas mostram desgaste de Flávio
A suspensão ocorre em um momento de desgaste para o pré-candidato, também identificado em levantamentos de outros institutos, como Quaest e Datafolha. Segundo a decisão, a manutenção da pesquisa poderia causar danos de “difícil reversão” ao processo eleitoral devido à sua rápida replicação digital.

A AtlasIntel tem agora um prazo de dois dias para apresentar documentação técnica complementar que justifique a regularidade de sua metodologia e o uso de áudio. Na sequência, o Ministério Público Eleitoral (MPE) deverá se manifestar. A decisão individual de Nunes Marques será submetida ao referendo do Plenário do TSE, com previsão de análise na sessão desta terça-feira (9).

Leia a matéria completa no Correio Braziliense