Israel lembra ataque do Hamas a 20 dias da eleição
Especialista em Oriente Médio falou sobre o impacto da guerra no pleito
A 20 dias das eleições para a escolha de um novo parlamento e, por consequência, um novo governo, Israel lembrou ontem dos três anos dos ataques terroristas do 7 de outubro comandados pelo grupo terrorista Hamas e que deixou 1,2 mil mortos, além de mais de 250 sequestrados. Para lembrar a data, a comunidade judaica do Recife recebeu, para uma palestra, o cientista político Samuel Feldberg.
Ao lado do presidente da Federação Israelita de Pernambuco, Boris Berenstein, e do diretor da entidade Jader Tachilitsky, ele visitou, nesta quarta-feira (7), o Diario de Pernambuco - onde foi recebido pelo diretor-executivo do jornal, Roberto Gazzi, e pela editora-chefe Lorena Ferrário.
Na visita, Samuel explicou que, em campanha para continuar no poder, o primeiro-ministro Benjamim Netanyahu tem recebido apoio de uma parte da população que, por confiar nele, acredita inclusive que a reação militar do país na Faixa de Gaza e em outras fronteiras, como a do Líbano, teria trazido uma sensação de “segurança” maior do que a que existia logo após os ataques.
Por outro lado, há uma oposição que culpa o primeiro-ministro pelo ocorrido. Segundo o cientista político, existe uma investigação interna do próprio governo sobre falhas na segurança que “ignoraram” as evidências de que o Hamas planejava um grande ataque antes do 7 de outubro.
No entanto, há a intenção de se realizar uma espécie de comissão parlamentar de inquérito, ou seja, uma investigação externa sobre a omissão de membros do governo Netanyahu, mas que vem sendo barrada pelo próprio líder israelense.
Durante a conversa, o especialista falou ainda a postura do primeiro-ministro diante das críticas que são feitas pelo resto do mundo sobre o conflito em Gaza. “Sem dúvida nenhuma, esse governo israelense não tem nenhum engajamento com a imagem de Israel. Nosso trabalho é tentar separar esse governo de um conceito de identidade nacional”, comentou Feldberg.
Lembre
Na manhã de sábado, 7 de outubro de 2023, coincidindo com uma festividade judaica, centenas de combatentes palestinos cruzaram a fronteira após lançarem uma robusta salva de foguetes a partir de Gaza.
Armados com fuzis e granadas, eles massacraram famílias em comunidades agrícolas e atacaram delegacias e bases do exército, em um dia que deixou 1.221 mortos, segundo um levantamento da AFP baseado em dados oficiais israelenses.
Os membros do Hamas também fizeram 251 reféns e os levaram para Gaza; 44 deles já estavam mortos.
Nesta quarta-feira, em uma cerimônia para homenagear os mortos, um dos principais adversários de Netanyahu é Naftali Bennett, ex-primeiro-ministro que o critica por não ter evitado os ataques. "Foi um fracasso colossal do Estado de Israel, que foi fundado para defender os judeus na nossa terra", declarou a jornalistas no local do festival Nova de música eletrônica, onde 360 pessoas, na maioria jovens, foram mortos.