Cerca de 5,8 milhões de crianças refugiadas ficaram fora da escola em 2025, diz Acnur
Cortes orçamentários em programas assistenciais devem agravar situação
Cerca de 5,8 milhões de crianças refugiadas ficaram fora da escola em 2025, informou nesta sexta-feira (2) o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), alertando que os cortes orçamentários nos programas de ajuda podem agravar a situação.
Segundo o Acnur, 44% dos 13,1 milhões de crianças refugiadas em idade escolar não puderam frequentar a escola em 2025.
Embora 65% das crianças em idade de cursar o ensino fundamental tenham recebido educação em 2025, apenas 32% dos adolescentes em idade de cursar o ensino médio estavam matriculados, segundo o Acnur. Apenas 11% estavam matriculados no ensino superior.
"A educação é uma proteção. Também é um caminho para as oportunidades e a autonomia", ressaltou Barham Salih, ex-presidente iraquiano e alto comissário da ONU para os Refugiados.
"Neste período de forte pressão sobre o financiamento da ajuda humanitária e ao desenvolvimento, os cortes na educação podem reverter décadas de investimentos coletivos e fechar oportunidades para toda uma geração de jovens", advertiu.
O ex-presidente iraquiano, que também foi refugiado, ressaltou que, ao olhar para a própria vida, a educação lhe deu "oportunidades que o deslocamento" teria "negado de outra forma". "O deslocamento não deveria determinar os limites da vida de uma criança", acrescentou.
Na última terça-feira (29), o Acnur alertou que cerca de 8,3 milhões de refugiados e deslocados corriam o risco de perder o acesso a uma ajuda vital devido a cortes drásticos no financiamento.
Os recursos disponíveis da agência caíram de 5,2 bilhões de dólares (R$ 27,2 bilhões) para 3,9 bilhões de dólares (R$ 20,4 bilhões) entre 2024 e 2025, devido à redução das contribuições.
No fim de julho de 2026, o Acnur havia recebido apenas 32% dos 8,5 bilhões de dólares (R$ 44,4 bilhões) necessários para o ano, enquanto o número de pessoas sob seu mandato de proteção permanece em níveis classificados como "historicamente elevados".