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EUA e China concordam com cortes tarifários sobre 60 bilhões de dólares

A medida foi um dos principais pontos acordados na segunda cúpula deste ano entre o líder chinês Xi Jinping e o presidente norte-americano, Donald Trump

Por Isabel Alvarez

O líder chinês Xi Jinping e o presidente norte-americano, Donald Trump

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, anunciou que os Estados Unidos e a China concordaram em reduzir tarifas sobre mercadorias comercializadas entre os dois países no valor de 60 bilhões de dólares. “A redução incidirá sobre uma variedade de produtos que vão desde milho norte-americano até cosméticos, e de eletrodomésticos chineses a brinquedos. Sob o plano chamado Bolsa de Comércio EUA-China, ambos os lados aceitaram suspender tarifas de 30 bilhões de dólares em bens não sensíveis”, afirmou.

A redução recíproca das tarifas, bem como a extensão da trégua comercial, foram alguns dos principais pontos acordados na segunda cúpula deste ano entre o líder chinês Xi Jinping e o presidente norte-americano, Donald Trump, realizada em Washington na semana passada.

Segundo Geer, o acordo também inclui bens agrícolas, exceto soja, e domésticos. A trégua comercial traz para as empresas um ambiente mais estável e previsível. “Para os Estados Unidos, o plano desbloqueia um melhor acesso ao mercado para cerca de 30% das exportações norte-americanas para a China”, reforçou.

A China planeja reduzir as tarifas de uma variedade de produtos agrícolas dos Estados Unidos, incluindo milho, trigo, sorgo, carne, laticínios, óleos vegetais e farinhas – mas incluí soja. Pequim também reduzirá as taxas sobre peixe e frutos do mar, produtos de madeira, cosméticos e dispositivos médicos. Washington responde com pequenos eletrodomésticos chineses como cafeteiras e torradeiras, louça, cobertores e roupa de cama. A lista também inclui brinquedos, cadeiras infantis, fogos de artifício, flores artificiais, luminárias de árvores de Natal e outras decorações.

O ministério do comércio da China adiantou nesta segunda-feira (28), que uma extensão de dois meses na trégua comercial com os EUA fornecerá um espaço para que ambos os lados avaliem a possibilidade de um acordo mais estendido para resolver questões econômicas e comerciais. “A extensão também oferece um ambiente de políticas relativamente estável e previsível para a cooperação entre empresas e discussões ativas contínuas”, diz o comunicado.

As duas partes ainda realizarão conversas regulares sobre potenciais oportunidades e barreiras ao investimento, aumentando a transparência e a previsibilidade e respondendo às preocupações das empresas.

Mais especificamente, a China tem um compromisso de gastar 17 bilhões de dólares em produtos agrícolas norte-americanos. Mas já esta acertada que foi retomada a compra em larga escala de soja dos EUA, que tem por base um acordo fechado no ano passado para comprar 25 milhões de toneladas métricas por ano. Ambos os países criarão um grupo de trabalho para o setor agrícola, que realizará a sua primeira reunião antes do final do ano para discutir o acesso e regulamentação bidirecionais ao mercado.

Na cúpula entre Trump e Jiping também ficou acordado que a China importará anualmente 10 milhões de toneladas métricas de carvão dos EUA em 2027 e 2028, de acordo com a Casa Branca. Esse valor equivale aproximadamente a 2% das importações de carvão da China a cada ano. “Importar carvão dos EUA não é apenas um complemento benéfico ao mercado doméstico de carvão da China, mas também traz rendimento econômico estável e empregos para a indústria do carvão dos EUA”, indicou o ministério chinês.

Em relação à Inteligência artificial (IA), os dois lados concordaram com a criação de um canal de comunicação para dirimir incidentes e realizarão um diálogo de acompanhamento até o final de novembro.

Pequim, além disso, examinará e aprovará instituições de serviços financeiros estrangeiros, incluindo aquelas que apresentem capital norte-americano, para conduzir negócios e abrir filiais no país. E haverá ainda uma comunicação contínua entre os dois governos sobre o aumento dos voos entre China e Estados Unidos.