Chanceler russo afirma em reunião da ONU que seu país não interromperá a guerra
O chanceler russo ainda acusou a Europa de estar tentando sabotar os esforços de paz
O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, declarou nas Nações Unidas que a Rússia não irá cessar o conflito contra a Ucrânia. O chanceler ainda acusou a Europa de estar tentando sabotar os esforços de paz.
"Gostaria de reiterar que não vamos interromper a nossa operação militar especial. A Europa só quer uma pausa e quer usá-la para fornecer mais armas ao regime de Kiev", alegou Lavrov em uma reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a Ucrânia, convocada por membros europeus do órgão e presidida pelo chefe da diplomacia francesa, Jean-Noël Barrot.
Já o embaixador dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Mike Waltz, condenou nos termos mais fortes qualquer tentativa de ampliar a guerra na Ucrânia. Na reunião do Conselho de Segurança, ele acrescentou que a expansão do conflito é perigosa e inaceitável.
No entanto, a subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo, alertou que a guerra está entrando em uma nova e perigosa fase, com a intensificação dos ataques, o aumento das baixas civis e o risco de um alastramento regional crescente.
"As consequências se fazem sentir muito além do campo de batalha. Não se trata simplesmente de uma escalada nos combates, mas sim de uma escalada no sofrimento humano, no risco regional e nos danos causados aos princípios da Carta da ONU e à ordem internacional", advertiu.
DiCarlo afirmou que este ano tem sido particularmente devastador para os civis. “Só nos primeiros oito meses, foram mortos ou feridos mais civis na Ucrânia do que durante todo o ano de 2025”, ressaltou. Desde fevereiro de 2022, pelo menos 17.257 civis, incluindo 835 crianças, foram mortos na Ucrânia e outros 53.693 ficaram feridos. As mortes de civis na Rússia também cresceram, com 443 mortos e 2.932 feridos entre janeiro e agosto.
A subsecretária-geral lembrou que as incursões de drones que afetam ou se aproximam do espaço aéreo de países vizinhos se tornaram cada vez mais frequentes, aumentando o risco de uma maior expansão e impacto regional. DiCarlo indicou ainda os perigos de ataques envolvendo instalações nucleares de ambas as partes, que podem ter consequências catastróficas.
Com a aproximação do inverno, apelou também à suspensão imediata dos ataques à infraestrutura energética da Ucrânia, que podem deixar milhões de pessoas sem aquecimento e eletricidade. Reafirmando a soberania e a integridade territorial do país, DiCarlo instou a intensificação da diplomacia rumo a um cessar-fogo imediato, completo e incondicional.
Em contrapartida, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, considerou que o exército russo está mais frágil, apesar da escalada da ofensiva de Moscou, que já lançou desde o início do ano cerca de dois mil mísseis e 63 mil drones. “Só este ano, de janeiro a agosto, as forças russas perderam 248.964 pessoas no campo de batalha”, apontou.
O líder ucraniano ainda assegurou que a Rússia é uma ameaça à Moldávia, aos países bálticos e aos vizinhos no Cáucaso. “Mesmo a nossa região de Donetsk não é suficiente para Vladimir Putin. Quer mais das nossas cidades e outras mais”, avisou. Zelensky destacou que a Ucrânia não escolheu esta guerra e apelou à diplomacia, recorrendo diretamente ao presidente chinês, Xi Jinping, para que use a sua influência sobre a Rússia para pôr fim ao conflito. "Precisamos de diplomacia e precisamos de força", pontuou.
Além disso, pediu a todos os membros da ONU que façam tudo o que for possível para privar a Rússia dos recursos financeiros necessários para manter os esforços de guerra e fez um convite para que outros países participem do programa antibalístico Freya.
O projeto de defesa antimíssil pan-europeu foi iniciado e liderado pela empresa de defesa ucraniana Fire Point, em colaboração com uma coalizão de países europeus. Seu principal objetivo é criar um ‘escudo’ antimíssil compartilhado e de alta eficiência para interceptar mísseis balísticos, sendo uma alternativa de menor custo e maior volume de produção ao sistema norte-americano Patriot.
Conversações entre Washington e Moscou
Paralelamente, o enviado presidencial russo Kirill Dmitriev viaja nesta quarta-feira para os Estados Unidos, onde se encontrará com autoridades da administração Trump, como Steve Witkoff e Jared Kushner, à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque.
A vinda de Dmitriev dará continuidade a uma recente reunião entre o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e representantes norte-americanos no Kremlin, no início deste mês. Fontes adiantaram às agências de notícias que a visita de Dmitriev objetiva manter o diálogo Rússia-EUA e os esforços de paz em curso.