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Forças rebeldes do Tigré retomam ofensiva e escalam guerra no norte da Etiópia

Grupo TPLF assume controle do aeroporto regional e rompe trégua estabelecida pelo Acordo de Pretória; Ethiopian Airlines suspende voos para a região

Por Isabel Alvarez

Pessoas deslocadas pelo conflito no Tigré buscando água próximo à cidade de Dubti, na Etiópia.

Na região norte da Etiópia, o conflito entre as forças da Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF) e as tropas federais, interrompido em 2022, voltou a escalar. O grupo rebelde lançou uma grande ofensiva contra o governo central nesta quarta-feira (23) e declarou ter entrado em uma "guerra defensiva" para conter suposta agressão do primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed. A TPLF tomou o controle do aeroporto de Tigré, o que levou a estatal Ethiopian Airlines a suspender todos os voos para a localidade.

Em um desdobramento crítico para o país, os rebeldes conseguiram retomar o domínio de diversas áreas estratégicas no norte. As lideranças do movimento relataram avanços substanciais em várias zonas operacionais, reafirmando sua capacidade militar.

O movimento ocorre após meses de aumento das tensões políticas e de confrontos pontuais contra o exército federal, reacendendo uma disputa que já provocou centenas de milhares de mortes e uma grave crise humanitária.

Ruptura do Acordo de Pretória e instabilidade regional

A nova ofensiva rompe o cessar-fogo firmado com a assinatura do Acordo de Pretória, em novembro de 2022. A guerra civil anterior entre a TPLF e o governo federal, travada entre 2020 e 2022, deixou cerca de 500 mil mortos e devastou a economia local. O grupo sustenta que luta em defesa da autonomia regional e dos direitos da etnia tigrínia dentro do modelo federalista, mas analistas apontam que a disputa central envolve o controle do poder político no Estado.

O recomeço das hostilidades amplia o temor de que a instabilidade transborde as fronteiras etíopes, em um momento em que o vizinho Sudão enfrenta sua própria guerra civil e o Mar Vermelho permanece sob tensão militar.

Apelos internacionais por cessar-fogo imediato

A União Africana (UA) pediu a máxima contenção e a desescalada imediata dos combates. Organizações humanitárias internacionais alertam para a necessidade urgente de acesso seguro às áreas afetadas para o fornecimento de alimentos e suprimentos médicos básicos à população civil, já severamente impactada por deslocamentos forçados.

No entanto, a retomada das ações militares altera profundamente o tabuleiro geopolítico no Chifre da África, indicando que a pacificação definitiva da Etiópia permanece distante. A crise no Tigré arrasta-se desde 2020, e este novo reinício dos combates desafia as declarações de vitória e pacificação emitidas nos últimos anos pelo governo de Adis Abeba.