EUA aprovam tratamento revolucionário para câncer do pâncreas
Apesar de não ser a cura, o novo tratamento causou grande entusiasmo na comunidade médica
Nesta quarta-feira (26), a agência federal do Departamento de Saúde dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA), anunciou a aprovação de um tratamento promissor para o câncer do pâncreas.
“A autorização de hoje oferece uma nova opção vital para os doentes que enfrentam um câncer muito grave e historicamente difícil de tratar”, declarou Kyle Diamantas, chefe interino da FDA.
Apesar de não ser a cura, o novo tratamento causou grande entusiasmo na comunidade médica por ser o primeiro avanço significativo contra este tipo de câncer, que é um dos mais letais e agressivos.
Desenvolvido pela startup norte-americana Revolution Medicines, o medicamento se chama Rasonque e já está disponível nos EUA em comprimidos para doentes que sofram de uma forma agressiva, mas comum, de câncer do pâncreas. “O comprimido é de uso diário e se destina a doentes que já receberam tratamento prévio ou que não podem receber quimioterapia combinada”, explica a startup.
O tratamento usa uma nova molécula chamada daraxonrasib e demonstrou ser muito mais eficaz do que a quimioterapia no seu ensaio clínico. O medicamento foi desenvolvido para bloquear diversas formas da proteína RAS, que contribui para o crescimento tumoral em muitos tipos de cancro do pâncreas. Metade dos doentes que recebeu o fármaco sobreviveu 13,2 meses, o dobro do tempo do grupo que fez quimioterapia. Para, além disso, o risco de morte reduziu 60%.
"Para os doentes e famílias que enfrentam o câncer pancreático metastático, esta aprovação representa um avanço há muito esperado e merecido", disse Brian Wolpin, diretor do Centro da Família Hale para a Investigação do Câncer Pancreático do Instituto de Câncer Dana-Farber.
Segundo o National Cancer Institute, aproximadamente 90% a 95% dos 67.000 novos casos de câncer do pâncreas diagnosticados anualmente nos Estados Unidos são adenocarcinomas pancreáticos. Embora represente cerca de 3,2% de todos os diagnósticos de cânceres, o adenocarcinoma pancreático é responsável por uma parcela desproporcionalmente elevada das mortes por câncer, devido ao diagnóstico tipicamente tardio, à agressividade da doença e às opções de tratamento limitadas.