Líbano acusa Israel de atirar perto de tropas libanesas nas zonas-piloto
No início de março, o Hezbollah arrastou o Líbano para uma nova guerra com Israel em solidariedade com o Irã.
Nesta terça-feira (21), Beirute acusou as forças israelenses de dispararem perto das suas tropas no sul do Líbano, numa das zonas-piloto de onde o exército de Israel está se retirando para dar lugar às forças libanesas.
"Enquanto as unidades militares procediam à sua mobilização na localidade de Zawtar al Gharbiya, em Nabatieh, as forças de ocupação israelense abriram fogo perto dessas unidades", denunciou o exército libanês.
Por sua vez, segundo as forças de Defesa de Israel, os tiros disparados para o ar foi uma tentativa de alertar os militares libaneses, apos estes terem alegadamente entrado 150 metros na zona-tampão das forças israelenses. Os soldados libaneses foram acusados de “violar barreiras” na área de Zawtar al-Sharqiyah. Não há registro de feridos.
As forças libanesas começaram a ocupar as posições anteriormente ocupadas pelas Forças de Defesa de Israel (IDF) seguindo o acordo estabelecido entre as autoridades de Beirute e Tel Aviv que foi mediado e firmado também pelos Estados Unidos.
O Comando do Exército do Líbano, que nunca interveio na guerra entre Israel e o grupo xiita Hezbollah, limitando-se a realizar serviços humanitários e de socorro, confirmou que este ataque dificultará a implementação das medidas de destacamento nas zonas-piloto previstas no acordo.
Estas medidas estão sendo conduzidas em conjunto com o Grupo de Coordenação Militar para o Líbano (MCG4L), um mecanismo composto por representantes militares libaneses, israelitas e norte-americanos para supervisionar o acordo-quadro de cessar-fogo e a mobilização do exército após a retirada de Israel, disse o comando militar.
As Forças Armadas libanesas iniciaram a mobilização em Zawtar al Gharbiya, em coordenação com o MCG4L, ao mesmo tempo que apelaram à população para que não se dirija à cidade até que a situação de segurança se estabilize.
Na segunda-feira, o exército libanês anunciou que se tinha deslocado para Froun e Srifa, as outras duas zonas de deslocamento condicionado e também situadas no sul, coincidindo com a declaração dos Estados Unidos sobre o início da execução desta operação de transferência de controle.
De acordo com o texto do acordo-quadro assinado pelas três partes, as Forças Armadas libanesas vão assumir gradualmente a responsabilidade pela segurança plena e efetiva nas designadas zonas-piloto, de onde as tropas israelitas vão retirar gradualmente.
Mas, o texto do acordo aponta que a retirada israelense esta condicionada ao desarmamento bem-sucedido dos grupos armados não estatais e ao desmantelamento da infraestrutura nessas zonas, em referência ao Hezbollah, de acordo com o texto do acordo.
Enquanto isso, o presidente libanês, Joseph Aoun, se reúne hoje com o homólogo norte-americano, Donald Trump, na Casa Branca, num momento em que Washington pressiona o governo de Beirute a desarmar o Hezbollah, apoiado pelo Irã. Aoun já indicou que pretende pedir ao líder republicano que pressione Israel a retirar do sul.
Por outro lado, Trump afirmou que Israel está atualmente se reposicionando em outras áreas do sul do Líbano, à medida que avança o plano de retirada das tropas israelenses das chamadas zonas-piloto no país, e adiantou que analisa o incidente ocorrido hoje.
No entanto, Israel recusa qualquer retirada até que o movimento xiita seja desarmado, uma medida também exigida pelos EUA.
No início de março, o Hezbollah arrastou o Líbano para uma nova guerra com Israel em solidariedade com o Irã. Mais de 4.300 pessoas foram mortas desde então em ataques aéreos israelenses, além da ofensiva terrestre que ocupou grande parte do sul do Líbano.