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Irã afirma que Estreito de Ormuz continuará fechado e ameaça bloquear outras rotas marítimas

A declaração da Guarda Revolucionária foi transmitida pela televisão estatal iraniana após os EUA ter lançado uma nova onda de ataques contra o país

Por Isabel Alvarez

Estreito de Ormuz

Nesta quarta-feira (15), a Guarda Revolucionária do Irã garantiu que o Estreito de Ormuz permanecerá encerrado até o fim dos atos de agressão de Washington e ameaçou ainda bloquear outras rotas marítimas estratégicas de exportação de petróleo e gás que beneficiem os Estados Unidos e seus aliados.

A declaração da Guarda Revolucionária foi transmitida pela televisão estatal iraniana após os EUA ter lançado uma nova onda de ataques contra o Irã e retomado o bloqueio naval dos seus portos. “As exportações regionais de energia são compartilhadas por todos ou negadas a todos”, afirmou a Guarda em comunicado divulgado pela agência de notícias estatal iraniana IRNA.

Segundo os analistas internacionais, Teerã vem sinalizando que pode juntamente com os parceiros Houthis, do Iêmen, fechar a passagem de Bab el-Mandeb para o Mar Vermelho que liga ao Golfo de Áden, por onde passam as exportações de petróleo da Arábia Saudita e uma parcela substancial do transporte marítimo global. O bloqueio abriria uma nova frente contra os EUA e colocaria em risco duas das principais rotas de abastecimento energético do mundo.

A Guarda Revolucionária do Irã também reiterou que os recentes ataques a embarcações no Estreito de Ormuz e as operações de retaliação contra bases norte-americanas na região vão continuar enquanto os EUA mantiverem as ações militares.

O chefe Comando Central dos EUA, Brad Cooper, confirmou que Teerã lançou dezenas de mísseis e drones contra países árabes vizinhos. “Os EUA responsabilizam o Irã por agressões injustificadas que continuam a pôr em risco vidas inocentes”, acusou Cooper.

O Comando Central dos EUA comunicou que há pelo menos 19 navios de guerra norte-americanos no mar Arábico, incluindo dois porta-aviões e um navio de assalto anfíbio com mais de mil fuzileiros a bordo, além de centenas de aeronaves militares operam em todo o Oriente Médio.

O governo norte-americano já reforçou as sanções contra o setor petrolífero do Irã, visando especificamente as infraestruturas de transporte. As sanções anunciadas ontem incluem cerca de 50 indivíduos e entidades ligadas à rede do magnata do petróleo Mohammad Hossein Shamkhani. "O regime iraniano sobrevive através do engano, e a rede Shamkhani é um dos seus motores mais rentáveis. O Departamento do Tesouro está fechando a infraestrutura financeira que permite ao regime continuar a ameaçar a segurança nacional dos Estados Unidos e o transporte global", disse Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA.

O presidente norte-americano, Donald Trump, também ameaçou na terça-feira atacar centrais elétricas e pontes iranianas na próxima semana, caso não seja alcançado um acordo com Teerã.

Enquanto isso, o secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Dominguez, avisou que o Estreito de Ormuz continua demasiado perigoso para que os navios comerciais se arrisquem a atravessá-lo. “As empresas devem evitar o risco de trafegar pelo estreito, tendo em conta a volatilidade da situação atual”, alertou, acrescentando que cerca de 6 mil marinheiros ainda permanecem retidos nesta faixa marítima.

Dominguez salientou que não existe qualquer base legal que permita impor taxas de passagem ou portagens no Estreito de Ormuz e destacou a importância do respeito ao direito internacional.