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Países europeus e Ucrânia formam coligação antimíssil em defesa do continente

A declaração surge à margem da Coligação dos Interessados, que reúne pelo menos 25 líderes para debater o apoio à Ucrânia e o aumento da pressão sobre a Rússia

Por Isabel Alvarez

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky

Nove países europeus e a Ucrânia anunciaram hoje a criação de uma coligação para desenvolver capacidades antibalísticas da Europa e proteger o continente.

"Consideramos que a proteção da Europa exige uma solução global, assente numa arquitetura integrada de defesa antimíssil, capaz de dissuadir e neutralizar futuras ameaças de mísseis", diz o comunicado conjunto do Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda, Dinamarca, Noruega, Espanha, Suécia e Ucrânia.

"Perante a ameaça balística, fazemos uma escolha clara: proteger a Ucrânia, reforçar a nossa segurança coletiva e construir a Europa da defesa", afirmou o presidente francês, Emmanuel Macron.

A declaração surge à margem da Coligação dos Interessados, que reúne em Paris, entre esta segunda e terça-feira, pelo menos 25 líderes para debater o apoio à Ucrânia e o aumento da pressão sobre a Rússia. De acordo com a presidência francesa, esta cúpula, que é co-organizada com o governo britânico, visa defender um cessar-fogo e a retomada das negociações de paz. “Os aliados pretendem reforçar um renovado sentido de unidade e cooperação em apoio à Ucrânia”, disse Macron.

Estes compromissos se baseiam nas promessas feitas recentemente na reunião do G7 em Évian e na cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em Ancara, onde os aliados acordaram enviar 70 bilhões de euros em ajuda militar para Kiev ainda este ano.

Por usa vez, Moscou desvalorizou a cúpula, descrevendo-a como uma coligação de belicistas em que os líderes não querem a paz.


França defende a liberdade a qualquer custo


Num discurso às forças armadas do país, antes da reunião dos aliados da Ucrânia, Macron indicou que a Europa vai defender a liberdade e os direitos a qualquer custo. "A mensagem que enviamos ao mundo é a seguinte: sim, a paz é o nosso objetivo. Sim, prezamos a liberdade e os direitos. E sim, estamos prontos para combater para defendê-los sempre, mesmo ao preço de sangue, se necessário. Daqui a alguns anos, teremos construído novas capacidades na Europa e teremos desencadeado um despertar estratégico. A Europa se está se tornando uma potência que está pronta para se defender", declarou.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, também disse que conversou com Macron sobre a situação na frente de guerra e as necessidades da Ucrânia na proteção dos civis contra os ataques russos. "É importante fortalecer a Ucrânia, reforçar as nossas defesas aéreas e acelerar o desenvolvimento das capacidades antibalísticas da Europa. A França dispõe precisamente das capacidades e das tecnologias avançadas necessárias para ajudar", apontou.