Trump afirma que está 'muito irritado' com a Otan e distrubui críticas
Em uma conversa com a imprensa ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, antes da abertura formal da cúpula na capital da Turquia, o presidente republicano não poupou ninguém
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou nesta quarta-feira (8) "muito irritado" à reunião de cúpula da Otan em Ancara e distribuiu críticas para todos os lados, com ataques à soberania dinamarquesa da Groenlândia, aos gastos militares da Espanha e ao que considera falta de ajuda dos aliados na guerra contra o Irã.
Em uma conversa com a imprensa ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, antes da abertura formal da cúpula na capital da Turquia, o presidente republicano não poupou ninguém.
"Estou muito irritado com a Otan", disse aos jornalistas. "Não estou satisfeito com a Otan pelo que fizeram com a Groenlândia, e não estou satisfeito com a Otan porque não quiseram nos ajudar com o principal Estado patrocinador do terrorismo, que é o Irã. Não estavam dispostos a nos ajudar", afirmou.
O americano critica reiteradamente os parceiros ocidentais por não o apoiarem na guerra que, em conjunto com Israel, iniciou em 28 de fevereiro contra o Irã.
Também voltou a destacar a questão da Groenlândia, uma imensa ilha ártica sob soberania da Dinamarca que, segundo ele, os Estados Unidos precisam para garantir sua segurança.
"A Groenlândia é um grande problema para nós", declarou, antes de acrescentar que a ilha, onde Washington já dispõe de uma base militar, é "muito importante para os Estados Unidos, mas não é importante para a Dinamarca".
"Precisamos dela para a proteção do mundo, não apenas dos Estados Unidos. Não ajuda a Dinamarca, mas nos ajuda", completou.
"A Groenlândia, é claro, não está à venda", declarou mais cedo à imprensa a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen.
No início do ano, a ameaça de Trump de tomar a Groenlândia à força colocou a Aliança Atlântica, da qual a Dinamarca é um Estado-membro, em uma situação difícil.
Após várias semanas de retórica agressiva, Trump baixou o tom e anunciou, em janeiro, um acordo sobre a Groenlândia com o secretário-geral da Otan, cujos detalhes continuam difusos.
O presidente americano também voltou a criticar a Espanha, que, segundo ele, não gasta o suficiente em Defesa e negou o uso de duas bases neste ano durante a guerra israelense-americana contra o Irã.
"A Espanha é uma causa perdida. Não queremos mais relações comerciais com a Espanha", disse Trump. "Não participam, não pagam", acrescentou.
Na cúpula da Otan em Haia no ano passado, a Espanha foi o único país que não assumiu o compromisso comum de elevar os gastos em defesa para 5% do PIB nacional até 2035, adotado sob pressão de Washington.
Desde então, Trump critica a Espanha e ameaça adotar medidas de retaliação comercial. No entanto, na relação com os Estados Unidos, é a UE, por meio da Comissão Europeia, que negocia as condições.
Uma fonte do governo espanhol, liderado pelo primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez, disse que o país recebe "com tranquilidade e normalidade" as críticas de Trump.
"Nosso país mantém uma relação social, cultural e econômica magnífica com os Estados Unidos e não é nossa intenção que isso mude", afirmou a fonte, que lembrou que a relação comercial dos Estados Unidos com a União Europeia "não pode ser particularizada a nenhum Estado-membro".