° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

Venezuelanos aceitam uso de máquinas pesadas para recuperar corpos de vítimas de terremoto

Voluntários venezuelanos seguem trabalhando nos imóveis que desabaram com a esperança de encontrar sobreviventes

Por AFP

Familiares de pessoas que ficaram presas sob os escombros de prédios na Venezuela aceitaram, neste sábado (4), o uso de máquinas pesadas na recuperação de corpos nos edifícios colapsados após os terremotos ocorridos há dez dias.

Voluntários venezuelanos seguem trabalhando nos imóveis que desabaram com a esperança de encontrar sobreviventes no estado de La Guaira, marco-zero dos terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 de 24 de junho, que deixaram quase três mil mortos. Eles atuam, inclusive, nas mesmas edificações onde socorristas internacionais não encontraram sinais de vida.

Uma cortina vermelha pende de uma barra exposta em meio aos escombros da residência Vista Mar. É um sinal de que, debaixo está o corpo de Heberth Hernández, de 79 anos. A alguns metros dali, uma retroescavadeira continua removendo os escombros da estrutura nos trabalhos de busca e resgate.

"Já o localizamos, já está visto, mas tem muitos escombros em cima e precisamos de colaboração" para poder tirar o que tem em cima para tirá-lo", diz Ruth Silva, amiga de Heberth.

"Sinto tristeza por ver uma pessoa tão próxima dentro destes escombros e não poder fazer nada humanamente para poder recuperá-lo", lamenta Silva.

No local, vários socorristas da Defesa Civil descansam debaixo de um toldo, onde médicos lhes fornecem um polivitamínico por via venosa. Eles esperam que as máquinas façam o seu trabalho e seja possível localizar algum corpo para ativar a operação de recuperação.

Autoridades e empresas mobilizaram, neste sábado, escavadeiras, retroescavadeiras e caminhões para demolir os edifícios colapsados ou severamente comprometidos, e avançar na remoção dos escombros.

Com o trabalho das máquinas, "penso que sim, vão conseguir. Além disso, seria o melhor porque de verdade que todos estes dias, desde que começou tudo isto, tem sido um processo bastante difícil, exaustivo", disse Susana Graterol, de 47 anos, em um prédio colapsado no setor de Playa Grande, em La Guaira.

"Nós, os familiares, precisamos ter um encerramento", assegura Graterol. Dez de seus vizinhos ainda não puderam ser recuperados.

Centenas de edifícios e casas foram marcadas nas áreas devastadas com as letras "DM", que indicam que devem ser demolidos.