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Reunião entre EUA e Catar discute acordo preliminar com o Irã

Negociadores se encontraram com o primeiro-ministro do Catar, Xeique Mohammed bin Abdul Rahman bin Jassim Al Thani

Por Isabel Alvarez

Xeique Mohammed bin Abdul Rahman bin Jassim Al Thani

Os enviados especiais dos Estados Unidos Steve Witkoff e Jared Kushner estão em Doha para mais uma etapa das negociações para o fim da guerra no Irã, onde se encontraram com o primeiro-ministro do Catar, Xeique Mohammed bin Abdul Rahman bin Jassim Al Thani. A reunião contou ainda com outros mediadores e visou discutir e analisar o andamento das negociações sobre o acordo preliminar firmado entre Washington e Teerã.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar adiantou que sobre a situação no Estreito de Ormuz o governo catari usou uma linha direta para reduzir a tensão e conter a recente troca de artilharia entre os EUA e o Irã. Doha, além disso, apontou que está coordenando com Omã para garantir a passagem segura de navios por esta rota marítima estratégica.

Na quarta-feira (01), a delegação norte-americana participará também de um encontro com a presença de representantes do Paquistão, principal mediador entre as autoridades dos dois lados.

Por sua vez, o Irã descartou uma reunião direta com os EUA, no Catar, para discutir o seu programa nuclear. Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério iraniano das Relações Exteriores, disse que não haverá nenhuma negociação, em nenhum nível, com a parte norteamericana em Doha e que a viagem da delegação iraniana ao país é apenas para abordar e garantir com as autoridades cataris a liberação de ativos bloqueados, seguindo a aplicação de uma das cláusulas do memorando de entendimento assinado com Washington.

Baghaei destacou que o seu país ainda não entrou na fase de negociação para um acordo definitivo, uma vez que, segundo a décima terceira cláusula, essas conversações só poderão começar quando forem efetivamente aplicadas as disposições relativas ao fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, a reabertura do Estreito de Ormuz, a suspensão das sanções ao petróleo e aos produtos petroquímicos e a liberação dos fundos iranianos. O porta-voz acrescentou ainda que “Seis bilhões de dólares em ativos iranianos congelados continuam sem ser transferidos para Teerã”, acrescentou um porta-voz da chancelaria catari.

O governo de Teerã também recusou o auxílio de outros países para a retirada de minas do Estreito. "A remoção de minas no Estreito de Ormuz é regulada por um memorando de entendimento específico, e Teerã não vê necessidade de intervenção de terceiros. Não há necessidade de interferência externa, o que somente complicaria a situação", afirmou o porta-voz da chancelaria iraniana.

Mas, enquanto isso, Omã indicou que trabalha para cobrar taxas de serviço a navios no Estreito de Ormuz. Porém, a medida entra em conflito com as declarações de autoridades norte-americanas, que criticam a possibilidade de qualquer pagamento para trafegar pela região, uma vez que são águas internacionais.

Segundo publicação do jornal New York Times, Omã entregou aos EUA e outros aliados um plano em que as empresas de transporte serão obrigadas a pagar uma taxa para utilizar o Estreito, uma das vias navegáveis mais usadas e importantes do mundo.

A Casa Branca têm preocupações que devem ser discutidas com Omã sobre essa questão, sendo que o Irã também já demonstrou em diversas ocasiões que pretende monetizar a passagem pela região após a conclusão do fim da guerra, algo que não ocorria antes dos ataques americanos e israelenses ao território iraniano.

O secretário-geral da Organização Marítima Internacional, Arsenio Dominguez, declarou hoje que cobrar taxas para permitir a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz é ilegal. Como alternativa, Domínguez propôs um fundo de contribuições voluntárias, um modelo que já é aplicado no estreito de Malaca, canal que liga o Oriente Médio e à Europa, e por onde passa cerca de 40% do comércio global, e no estreito de Singapura. Nos dois, há um acordo entre Singapura, Indonésia e Malásia para que a circulação seja financiada principalmente através de contribuições voluntárias por parte de países que utilizam estes trajetos marítimos. Os valores são destinados a garantir segurança e o cumprimento de obrigações ambientais. "Trata-se de aprender com algo que já existe e que está a ser testado", diz Domínguez, que afirmou ter conversado sobre o assunto com representantes de Omã.