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Tel Aviv e Beirute discutem proposta apoiada pelos EUA

Segundo as autoridades israelenses, as tropas libanesas teriam que passar por treinamento e verificação dos EUA para garantir que não têm ligações ao Hezbollah

Por Isabel Alvarez

Líbano

As conversações entre Israel e o Líbano para o acordo definitivo de paz incluem a discussão de uma proposta apoiada pelos Estados Unidos para que as forças israelenses entreguem ao exército libanês parte do território que ocupam desde o começo do conflito com o grupo xiita Hezbollah.

Segundo as autoridades israelenses, as tropas libanesas teriam que passar por treinamento e verificação dos EUA para garantir que não têm ligações ao Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, enquanto Israel manteria uma presença militar na zona tampão que tomaram ao longo da fronteira. O projeto "piloto" proposto está sendo discutido na mais recente rodada de negociações entre as autoridades libanesas e israelenses, que teve inicio em Washington na terça-feira (23).

Enquanto isso, Teerã continua a afirmar que a desocupação e o fim total dos combates no Líbano ainda é um ponto central das suas negociações no acordo final com os EUA. O acordo provisório assinado entre os dois lados exige que ambos os países declarem o término imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, e garantam a integridade territorial e soberania do Líbano.

Apesar de incontáveis violações de ambas as partes na trégua que se sucedeu posteriormente entre israelenses e o Hezbollah, um cessar-fogo após o acordo preliminar Irã-EUA tem sido quase completamente respeitado desde o último domingo, embora as forças de Israel permaneçam posicionadas no interior do sul do Líbano, onde tomaram uma zona que alega ser de segurança para proteger o norte do país de um ataque do grupo. Mas, mesmo assim alguns confrontos pontuais também foram registrados desde então.
Ainda nesta quarta-feira (24), duas pessoas morreram devido à drones israelenses em Kfar Rumman, no sul libanês, segundo a Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA), enquanto responsáveis israelenses e libaneses discutem negociações tensas para pôr fim às hostilidades entre Israel e o Hezbollah.

Em todo o cenário do Oriente Médio, a nação mais prejudicada pela guerra dos EUA e Israel contra o Irã foi o Líbano, que teve a maioria das vítimas fatais, milhares de deslocados e feridos, agravamento da crise econômica e uma boa parte do seu território destruído, além da ocupação no sul do país pelo exército israelense. Já o Hezbollah, considerado um adversário político do atual governo libanês, voltou a se fortalecer.

Por outro lado, o ministro da Defesa israelense reiterou hoje que as Forças de Defesa de Israel (IDF) não vão se retirar das áreas que ocupam no sul do Líbano.

De acordo com o jornal Times of Israel, Israel Katz foi categórico e indicou que não haverá retirada mesmo que exista um pedido dos Estados Unidos. "200 mil residentes libaneses não regressarão às suas casas evacuadas. Porque, no passado, nas zonas de segurança onde também existia população civil, ocorreram ataques com explosivos improvisados à beira da estrada e outras ações contra os soldados. Por isso, não permitiremos que isso volte a acontecer. Nós não vamos sair", enfatizou.

Em contrapartida, Mohamad Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e negociador-chefe nas conversações sobre o memorando de entendimento com os EUA, insistiu que a paz no Líbano é uma questão crucial para um acordo final com Washington. “Para nós, o cessar-fogo no Líbano foi e continua a ser tão importante como o cessar-fogo no Irã, e o fim da guerra no Líbano é tão importante como o fim da guerra no Irã”, reiterou.

Ghalibaf, ainda disse que Israel é o culpado de todos os problemas no Oriente Médio. "A hegemonia dos EUA acabou devido à guerra e a harmonia entre países muçulmanos é uma necessidade inevitável. Os países da região têm de criar um novo sistema com base nas suas capacidades", pontuou.

O governo de Teerã também criticou as declarações contraditórias dos EUA sobre o memorando de entendimento. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmael Baghaei, afirmou que tais declarações não contribuem para reduzir a desconfiança acumulada dos iranianos. "O governo dos Estados Unidos deve ter em mente que o princípio de compromisso por compromisso exige o cumprimento de obrigações mútuas e a abstenção de interpretações completamente contrárias ao texto explícito do memorando de entendimento", disse Baghaei.

O presidente norte-americano, Donald Trump, declarou que o Irã está realizando grandes concessões nas negociações. “Como sabem, estamos ganhando por larga margem. Estão concordando com tudo o que eu quero e têm fazê-lo. Se não o fizeram, voltaremos e faremos o que teremos de fazer", citou em coletiva de imprensa.