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Israel garante liberdade de ação às suas tropas no Líbano

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou que as tropas israelenses destacadas no sul do Líbano têm total liberdade de ação para neutralizar qualquer ameaça direta ou potencial contra eles

Por Isabel Alvarez

Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu

O exército israelense suspendeu hoje as restrições de segurança em oito cidades perto da fronteira com o Líbano. Atualmente, Israel também ocupa cerca de 570 quilômetros quadrados de território libanês e usou a estratégia de destruir os vilarejos próximos da fronteira, criando uma faixa de ocupação chamada de “zona tampão”.

Num comunicado em vídeo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou que as tropas israelenses destacadas no sul do Líbano têm total liberdade de ação para neutralizar qualquer ameaça direta ou potencial contra eles ou contra os residentes do norte do seu país. "O exército israelense não está sujeito a quaisquer restrições sobre este assunto", afirmou Netanyahu, insistindo que Israel se manterá na faixa de segurança durante o tempo que for necessário para proteger os habitantes do norte e todos os cidadãos do país.

Um alto funcionário da segurança do Líbano revelou, sob anonimato, à agências de noticias, que a adesão ao cessar-fogo por enquanto tem sido “quase total” desde a noite de sábado, porém reportou que um tanque israelense já disparou mísseis hoje contra uma vila perto da cidade histórica de Tiro e que as forças israelenses ainda lançaram granadas de efeito moral em outras duas localidades no sul libanês.

Também nesta segunda-feira (22), o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, que está entre os que criticaram duramente o acordo entre os Estados Unidos e o Irã, ameaçou que se o Líbano permitir que o seu território seja transformado numa base terrorista contra o Estado de Israel, Beirute terá de enfrentar as consequências.

“Quem optar pela guerra contra Israel deverá arcar com as consequências. A minha posição é que não podemos tolerar uma única lágrima de uma mãe israelense, mesmo que haja lágrimas de mil mães libanesas, e precisamos continuar. Apoio o vice-presidente dos EUA, mas estou mais comprometido com os nossos soldados e os nossos cidadãos. É com eles que estamos comprometidos. Quero agradecer aos norte-americanos, mas a nossa linha vermelha está prejudicando soldados e civis”, avisou.

Apesar do memorando de entendimento firmado entre Washington e Teerã, que inclui a frente libanesa, o governo de Tel Aviv reivindicou o direito do país permanecer ocupando o território do Líbano e a trocar fogo com o grupo xiita libanês Hezbollah, pró-iraniano.

O vice-presidente norte-americano, JD Vance, já repreendeu autoridades israelenses por criticarem o acordo de paz dos EUA com o Irã e continuarem as ofensivas no Líbano. Ele afirmou que qualquer agressão militar israelense em território libanês seria considerada uma violação do tratado de cessar-fogo. Vance, além disso, já classificou a reação de Israel ao acordo preliminar como uma reação exagerada e cobrou o gabinete de Netanyahu por tentar criar obstáculos à redução das hostilidades. Também deixou claro que a integridade territorial libanesa e a contenção do Hezbollah e Israel estão no centro das exigências americanas para manter o acordo ativo.

Mas, segundo publicação da Sky News, JD Vance conversou com o presidente do Líbano, Joseph Aoun, para discutir o cessar-fogo no país. “A discussão durante a chamada abordou a questão da consolidação do cessar-fogo no Líbano, do fim da escalada militar israelense e das medidas que devem ser tomadas a este respeito, incluindo a possibilidade de formar um grupo de trabalho para este fim”, escreveu a presidência libanesa na rede X.


A chamada incluiu ainda o genro de Donald Trump, Jared Kushner, e o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani.

“As negociações técnicas entre EUA e Irã vão continuar nas próximos dias e semanas. Fizemos exatamente o que queríamos”, disse JD Vance, destacando que os EUA alcançaram quatro objetivos principais durante as conversações deste fim de semana com os seus homólogos iranianos. Vance saudou, sobretudo, o fato dos iranianos terem concordado em convidar inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para inspecionar o país.

“Este é um marco importante para o povo americano”, indicou, acrescentando que foi estabelecida uma base muito sólida para um acordo final bem-sucedido.