Seul alerta sobre proposta inédita da China de cooperação militar com Pyongyang
Movimento de Pequim gera apreensão em meio à aproximação entre Coreia do Norte e Rússia
O governo sul-coreano alertou, nesta quarta-feira (10), que a proposta do presidente chinês Xi Jinping, que visitou recentemente Pyongyang, para ampliar intercâmbios militares com a Coreia do Norte não têm precedentes.
"Foi o primeiro caso conhecido em que o tema é levantado publicamente", afirmou o Ministério da Unificação da Coreia do Sul, em referência às declarações de Jinping no encontro com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e que foram divulgadas na segunda-feira (08) pela agência de notícias oficial chinesa Xinhua.
O jornal sul-coreano The Korea Times destacou que Jinping pediu um aprimoramento na coordenação militar e estratégica, marcando a primeira vez que um tópico militar dessa envergadura foi levantado publicamente entre as duas nações.
Segundo a Xinhua, foi firmado um acordo para expandir a cooperação em áreas como comércio, economia e militar. Jinping defendeu uma maior cooperação na área da defesa entre os dois países e afirmou que a China e a Coreia do Norte devem intensificar os intercâmbios nos assuntos militares, além de reforçar a diplomacia.
Analistas internacionais ainda apontaram que presença na delegação chinesa do ministro da Defesa chinês, Dong Jun, nesta visita oficial a capital norte-coreana assinalou também os objetivos da China e causou preocupação em Seul. A deslocação de Jun foi avaliada como uma tentativa de Pequim de reafirmar a influência sobre Pyongyang, num contexto em que a Coreia do Norte aprofunda os laços bilaterais com a Rússia.
No entanto, os órgãos de comunicação estatais norte-coreanos não citaram nenhuma proposta de cooperação militar com Pequim. A agência estatal KCNA, da Coreia do Norte, apenas divulgou hoje uma carta de agradecimento de Xi a Kim, na qual o presidente da China menciona que ambos alcançaram uma série de importantes consensos, mas sem especificar os detalhes.