EUA anunciam que negociações entre Líbano e Israel serão retomadas
Na quarta-feira (3), representantes do Líbano e Israel concordaram em prorrogar a implementação de um cessar-fogo após negociações em Washington
Nesta segunda-feira (08), o embaixador norte-americano em Beirute, Michel Issa, declarou que as negociações entre Líbano e Israel deverão ser retomadas em Washington, apesar dos recentes ataques israelenses no sul da capital libanesa e da escalada militar que agravou as tensões.
Após uma reunião com o presidente libanês, Josef Aoun, Issa afirmou que as conversações deverão prosseguir na capital dos Estados Unidos, mas sem informar uma data para a próxima reunião entre as delegações dos dois países. "Gostaria de felicitar a equipe de negociação libanesa, que é extremamente profissional e eficaz", elogiou o embaixador.
De acordo com o governo do Líbano, Issa considerou que a situação atingiu um ponto de não retorno, sustentando que o gelo foi quebrado e que os EUA estão empenhados em impedir uma nova deterioração da situação na região. "O que aconteceu envia uma mensagem política; nós, nos Estados Unidos, decidimos não permitir que as tensões aumentem ainda mais", afirmou Issa.
O embaixador ainda se encontrou com o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, e garantiu que o presidente norte-americano, Donald Trump, atribui grande importância à situação no Líbano. Issa defendeu também que as negociações poderão contribuir para aliviar a crise no país, no entanto adiantou que o processo exigirá tempo.
"As negociações podem demorar, uma vez que não se espera que todas as questões sejam resolvidas numa única reunião", disse o diplomata, acrescentando que a continuidade do diálogo terá um impacto positivo no Líbano e na região do Oriente Médio.
Na quarta-feira (3), representantes do Líbano e Israel concordaram em prorrogar a implementação de um cessar-fogo após negociações em Washington, que ficou condicionado a uma interrupção completa dos ataques do grupo xiita libanês pró-iraniano Hezbollah, e à evacuação de todos os seus agentes do Setor Sul do Litani. Já o Hezbollah rejeitou o cessar-fogo e exigiu, em vez disso, uma trégua abrangente e a retirada total das tropas israelenses do Líbano.
Analistas internacionais avaliam o cessar-fogo entre as partes extremamente frágil e praticamente inexistente, uma vez que o Hezbollah e as forças israelenses violam diariamente o acordo de trégua.
No entanto, ataques israelenses atingiram hoje mais de 15 localidades no sul do Líbano, em particular em Tyr. Um dos ataques atingiu uma viatura perto de um edifício da Cruz Vermelha nesta pequena vila costeira, reportou a oficial agência noticiosa libanesa (ANI). A Cruz Vermelha informou que quatro socorristas ficaram feridos. O Hezbollah reivindicou novos confrontos contra forças israelenses, mas no sul do país, não no norte de Israel.
Enquanto isso, Tel Aviv ordenou a suspensão dos recentes ataques contra o Irã, depois do pedido de Trump. No último domingo, o Irã lançou mísseis contra o norte de Israel como retaliação pelos bombardeios israelenses no Líbano, que deixaram dois mortos e 20 feridos, entre eles quatro crianças e quatro mulheres. A interrupção da ofensiva israelense ao Líbano, sobretudo a Beirute, é uma das condições de Teerã para firmar um acordo de paz com Washington.
Porém, o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu prometeu que continuará a destruir a infraestrutura do Hezbollah e que voltará a bombardear os subúrbios do sul de Beirute, caso o grupo dispare novos ataques contra cidades israelenses.
Por sua vez, o Irã alertou que também retomará as ofensivas se Israel atacar, inclusive no sul do Líbano. “Caso as agressões e os atos hostis continuem, inclusive no sul do Líbano, medidas muito mais severas e repressivas do que as anteriores serão tomadas”, diz o comunicado do exército iraniano citado pela agência de notícias Tasnim.