Mídia revela minuta do acordo entre Irã e os Estados Unidos
No entanto, a mídia não diz se existe entendimento entre EUA e Irã sobre a questão nuclear
Nesta quarta-feira (27), a emissora estatal iraniana revelou alguns dados de uma minuta do um acordo inicial com os Estados Unidos sobre o fim do conflito.
No alegado memorando de um entendimento futuro com Washington, o documento indica que o governo de Teerã poderá restaurar o tráfego marítimo comercial pelo Estreito de Ormuz aos níveis pré-guerra em um mês. A minuta aponta também que a normalização da rota no Estreito de Ormuz será restabelecida com Omã.
Ao mesmo tempo, os EUA terão que retirar as suas forças militares das proximidades do Irã além de suspender o bloqueio naval aos portos iranianos.
A televisão iraniana ainda noticiou que se o acordo final for alcançado em 60 dias, poderá ser aprovado como uma resolução vinculativa do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
No entanto, a mídia não diz se existe entendimento entre as partes sobre a questão nuclear, uma vez que o presidente norte-americano Donald Trump insiste que sem isso não haverá qualquer acordo final.
O Irã confirmou que recebeu um rascunho inicial e não oficial do memorando de entendimento com os EUA destinado a pôr fim ao conflito entre os dois países. Além disso, o regime iraniano reiterou hoje que não há negociações sobre o destino das suas reservas de urânio altamente enriquecido, um dos principais pontos de tensão nas conversações com a Casa Branca. "Este tema não está na agenda das negociações", afirmou Ali Bagheri Kani, vice-secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã.
Entretanto, representantes iranianos garantem que qualquer acordo com os EUA terá de respeitar as “linhas vermelhas” definidas por Teerã. "O que conta para nós é o resultado final das negociações. Um documento redigido dentro das linhas vermelhas do sistema e em conformidade com a salvaguarda dos interesses nacionais e dos direitos do povo iraniano", afirmou Alaeddin Boroujerdi, membro da comissão dos Negócios Estrangeiros e da Segurança Nacional do parlamento iraniano, citado pela agência oficial Tasnim.
O responsável acrescentou que o corpo diplomático e o regime não tomam decisões em função dos caprichos de um tweet de Trump.
Apesar dos recentes ataques dos EUA contra alvos iranianos, as negociações de paz, sob mediação conjunta do Paquistão e do Catar, se mantêm. A Guarda Revolucionária iraniana não especificou as possíveis retaliações, mas sugeriu que não pretendia que fossem suspensos os passos finais para um acordo entre os dois países. As forças iranianas acreditam que retomada da guerra com os EUA é improvável, no meio das negociações diplomáticas em curso, embora tenha declarado estar preparada para enfrentar um novo ataque.