Hantavírus no Paraná: Brasil registra casos da doença após surto em navio
Com dois registros confirmados e 11 em investigação no Sul do país, atenção se volta para a cepa capaz de ser transmitida entre humanos
O avanço do hantavírus volta a colocar as autoridades sanitárias brasileiras em alerta. Nesta semana, a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) confirmou dois casos da doença em moradores de Pérola d'Oeste e Ponta Grossa.
Enquanto o estado monitora outros onze pacientes sob suspeita, a preocupação se estende por outros hemisférios: a Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanha um surto no navio de cruzeiro MV Hondius, onde a cepa andiana do vírus - a única com transmissão documentada entre pessoas - já causou três mortes.
Os casos paranaenses atingiram um homem de 34 anos e uma mulher de 28. Embora a Sesa afirme que a situação está ‘sob controle', a localização de um dos pacientes acende um alerta geográfico. Pérola d'Oeste faz fronteira com a Argentina, país que enfrenta um aumento expressivo de infecções: foram 101 registros desde junho de 2025, quase o dobro do ano anterior.
Em Ponta Grossa, a investigação sugere que a contaminação ocorreu em outra cidade, ainda não identificada. Apesar da coincidência temporal, as autoridades municipais reforçam que esses casos não possuem relação direta com o surto ocorrido no navio que partiu da Patagônia argentina rumo à África.
Entre as vítimas fatais da embarcação estão um casal de idosos holandeses e uma mulher alemã. Segundo Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, o contágio inicial provavelmente ocorreu em terra: "O casal holandês que apresentou os primeiros casos havia feito uma viagem de observação de aves pela Argentina, Chile e Uruguai antes de entrar no navio", explicou.
Maria Van Kerkhove, diretora da OMS, descartou os riscos de uma ‘nova pandemia’: "Sabemos que a transmissão entre pessoas é possível e suspeitamos que aconteceu no navio, mas não é como a covid, a transmissão é muito mais difícil".
O que é o hantavírus?
O hantavírus é um grupo de vírus geralmente transmitidos por roedores infectados através da inalação de partículas suspensas no ar vindas de urina, fezes e saliva desses animais.
Quais são os sintomas:
Dentre os sintomas iniciais do quadro estão:
- Febre;
- Dores musculares;
- Dor de cabeça;
- Dor lombar;
- Sintomas gastrointestinais.
Já nos casos mais graves, podem surgir também:
- Falta de ar;
- Respiração acelerada;
- Pressão baixa;
- Aceleração dos batimentos cardíacos;
- Tosse seca.
Qual é a cepa envolvida no surto?
A OMS confirmou que os casos estão ligados à cepa Andes do hantavírus, encontrada principalmente na Argentina e no Chile. Ela é considerada a única variante com registros documentados de transmissão entre humanos.
Especialistas ressaltam, porém, que esse tipo de transmissão é raro e costuma exigir contato muito próximo e prolongado, como compartilhar ambientes fechados, cama ou alimentos.
Como começou?
Ainda não há confirmação sobre a origem do surto, mas a OMS avalia que o primeiro passageiro infectado provavelmente teve contato com o vírus antes mesmo de embarcar no cruzeiro.
Segundo Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, o casal holandês que apresentou os primeiros casos havia feito uma viagem de observação de aves pela Argentina, Chile e Uruguai antes de entrar no navio, passando por áreas onde há roedores capazes de transmitir o vírus.
A Argentina pretende enviar especialistas a Ushuaia para investigar a possível origem da infecção.
Existe tratamento para o hantavírus?
Não há tratamento antiviral específico comprovadamente eficaz para a forma cardiopulmonar da doença, explica Luís Fernando Correia, médico especialista em Clínica Médica e Terapia Intensiva, e também colunista do Pulsa.
O manejo depende principalmente de suporte intensivo e diagnóstico precoce.
A recomendação é procurar atendimento médico rapidamente diante de sintomas respiratórios após possível exposição a ambientes com roedores ou contato próximo com casos suspeitos.