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Jornalistas seguem proibidos de acessar a sede do governo argentino

A medida inédita foi adotada na quinta-feira passada (23), quando cerca de 50 jornalistas credenciados foram impedidos de entrar na Casa Rosada

Por AFP

Associações expressaram preocupação diante da medida tomada pelo presidente Javier Milei

Jornalistas credenciados continuavam, nesta segunda-feira (27), sem poder entrar na Casa Rosada, sede do governo argentino, quatro dias depois de o governo de Javier Milei ter bloqueado seu acesso sob a acusação de espionagem, medida que levou a um apelo ao diálogo por parte da Igreja Católica.

Monsenhor Jorge Lozano, responsável pela Comunicação Social do Episcopado, esteve nesta segunda-feira na Praça de Maio, em frente à sede do governo, para se solidarizar com os jornalistas que não puderam entrar em seu local habitual de trabalho.

"Estamos surpresos com a decisão de cancelar a autorização de todos os que estão credenciados", disse Lozano à AFP. "Da nossa parte, vamos continuar promovendo o diálogo, estamos dispostos a viabilizar encontros ou o que for necessário", acrescentou.

No local, alguns dos jornalistas credenciados na Casa Rosada evitaram se expor às câmeras por medo de represálias. "Agora somos 'credenciados da Praça de Maio', é lamentável", disse um deles, sob condição de anonimato.

A medida inédita foi adotada na quinta-feira passada (23), quando cerca de 50 jornalistas credenciados foram impedidos de entrar na Casa Rosada "de maneira preventiva", segundo informou então o governo.

O jornal Ámbito Financiero apresentou na sexta-feira um pedido de amparo judicial, e o sindicato de imprensa de Buenos Aires (Sipreba) prepara medidas semelhantes.

"São vários os direitos que estão sendo violados, e isso nos preocupa muito. De um lado, a liberdade de expressão dos jornalistas, o direito que eles têm de informar e o direito que a sociedade tem de conhecer as questões relacionadas aos atos de governo", disse o religioso.

Em comunicado também nesta segunda-feira, a Igreja católica, por meio do Episcopado, pediu "diálogo e entendimento" e a "erradicação dos discursos de ódio".

O governo não se pronunciou sobre o tema.

A Casa Militar, responsável pela segurança da Casa Rosada, impulsionou uma investigação judicial contra dois jornalistas do canal Todo Noticias por terem filmado em locais supostamente restritos e sem autorização.

Os jornalistas alegaram que tinham permissão e que os locais filmados costumam ser visitados até mesmo por crianças em excursões escolares.

Milei mantém uma relação áspera com a imprensa, que costuma desqualificar com insultos e, nas redes sociais, com a sigla NOLSALP: "Não odiamos os jornalistas o suficiente".

A Associação de Jornalistas da República Argentina (Apera), a Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa) e o Fórum de Jornalismo Argentino (Fopea) expressaram preocupação.

"A decisão adotada afeta diretamente a liberdade de expressão e o direito à informação, pilares fundamentais do sistema democrático", afirmou a Adepa.