Israel e Líbano realizaram hoje negociações diretas para acordo de cessar-fogo
Os dois países chegaram a um cessar-fogo mediado pelos EUA em novembro de 2024
Nesta terça-feira (14), Israel e Líbano iniciaram as preliminares conversações diretas de paz, em Washington, com a mediação do Secretário de Estado norte-americano Marco Rubio. A reunião durou cerca de duas horas e o encontro direto entre autoridades dos países não aconteciam desde 1983.
Rubio disse que se tratou de uma oportunidade histórica e que as negociações não se esgotam apenas num dia. As delegações adiantaram que vão apresentar aos seus respectivos governos as diversas propostas e recomendações que decorreram no encontro e que depois as duas partes provavelmente retornarão a se reunir nas próximas semanas para continuar as discussões.
As autoridades israelenses visaram, sobretudo, o desarmamento do grupo xiita libanês Hezbollah, enquanto o Líbano queria a retirada das tropas e trégua imediata. Israel foi representado pelo seu embaixador nos Estados Unidos, Yechiel Leiter, que declarou no final da reunião que o governo libanês deixou claro que não quer o Hezbollah no país. "Estamos unidos na luta para libertar o Líbano da força ocupante dominada pelo Irã, chamada Hezbollah. O Hezbollah está mais enfraquecido do que nunca. Os combates de Israel no Líbano enfraqueceram o Hezbollah a tal ponto que o governo libanês pode entrar numa nova era de paz", indicou o diplomata.
Leiter sublinhou que Tel Aviv não pretende acabar a sua ofensiva contra o grupo e que o principal foco é a segurança dos residentes do seu país. “Vamos trabalhar com Beirute em questões de segurança e na frente civil. Na reunião, discutimos uma visão a longo prazo, onde haverá uma fronteira claramente definida entre os nossos países, e a única razão pela qual precisaremos de atravessar para o território um do outro será para tratar de negócios ou ir de férias" , pontuou.
O embaixador ainda destacou que os representantes dos três países descobriram hoje que estão do mesmo lado da equação, e que isso é o mais positivo que poderia ter acontecido. “O encontro representou uma vitória para o bom senso, para a responsabilidade e para a paz", concluiu.
Já a embaixadora do Líbano nos Estados Unidos, Nada Hamadeh Moawad, foi à representante do seu país no encontro e garantiu que a reunião foi construtiva. "Solicitei um cessar-fogo e o regresso dos deslocados internos às suas casas. Solicitei também a adoção de medidas práticas para aliviar a grave crise humanitária que o Líbano continua a enfrentar em resultado do conflito em curso. Ressaltei a necessidade de preservar a nossa integridade territorial e soberania estatal e reafirmei a necessidade urgente da plena implementação do anúncio de cessação das hostilidades de novembro de 2024", concluiu Moawad.
Os dois países chegaram a um cessar-fogo mediado pelos EUA em novembro de 2024, que previa o desarmamento do Hezbollah e a retirada israelense do território, porém esta trégua se mostrou frágil e com a acusações de várias violações por parte de Israel e, posteriormente retaliações do grupo xiita libanês. No contexto atual, fontes próximas ao governo de Benjamin Netanyahu adiantaram a mídia que agora o primeiro-ministro busca um acordo mais substancial que inclua compromissos libaneses mais firmes para desarmar o grupo xiita e uma melhoria mais ampla das relações.
No entanto, no governo de Netanyahu, muitos membros se opõem fortemente à suspensão dos combates e alguns ministros defendem a tomada permanente de uma zona de segurança no sul do Líbano. Mas, segundo as fontes, o premiê também deu inicio as negociações em resposta à pressão norte-americana.
Enquanto isso, o Hezbollah anunciou que hoje lançou uma série de ataques contra alvos do exército israelense, nas recém-instaladas artilharias na cidade de Bayyada.