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Agência Internacional de Energia pede ao G7 que libere reservas de petróleo

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, afirmou que a situação energética está se deteriorando no Oriente Médio

Por Isabel Alvarez

Diretor-geral da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol

A Agência Internacional de Energia pediu numa reunião hoje com os ministros da Economia aos membros do G7, grupo dos países mais industrializados e democráticos do mundo, a liberação coordenada de reservas de petróleo de emergência.

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, afirmou que a situação energética está se deteriorando no Oriente Médio e que isso está criando riscos crescentes e significativos no mercado.

Os países do G7, formados pela Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido, Estados Unidos, além da União Europeia, ainda não tomaram uma decisão sobre a crise.

De acordo com o ministro francês da economia, Roland Lescure, o grupo discutiu a possibilidade, mas ainda não decidiu se vão ou não libertar reservas de emergência, apesar do pedido da Agência Internacional de Energia.

A ministra da Economia do Japão, Satsuki Katayama adiantou que a agência das Nações Unidas quer que cada país faça uma libertação coordenada das reservas de petróleo.

A medida poderia ajudar a mitigar temporariamente a escalada global do preço do barril do petróleo.

 


Disparada do petróleo

O conflito no Oriente Médio afeta diretamente o Estreito de Ormuz, uma importante rota marítima para o comércio, por onde passa aproximadamente 20% do petróleo mundial.

Segundo dados divulgados hoje pela Bloomberg, o preço do petróleo Brent já subiu mais de 28%, atingindo os 119,50 dólares. O Brent é um tipo específico de petróleo de alta qualidade, sendo geralmente usado para precificar o petróleo no mercado global, uma vez que é principal referência de preço internacional. Além disso, o valor do seu barril reflete mais as tensões geopolíticas.


Enquanto isso, o preço do crude, (petróleo bruto e não refinado) aumentou mais de 40% desde o início da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã. Já o preço do crude West Texas Intermediate (WTI), referência para os EUA, também subiu 15,14%, chegando a 104,86 dólares, antes mesmo da abertura oficial do mercado norte-americano nesta segunda-feira (09).

Guerra ameaça fornecimento de materiais a indústria alimentar


Entretanto, a guerra no Irã pode, além disso, trazer consequências graves para a produção de alimentos em todo o mundo, uma vez que a região do Oriente Médio tem algumas das maiores fábricas de fertilizantes do mundo e ser ainda um importante produtor das matérias-primas necessárias para sua fabricação.

De acordo com a Morningstar, conceituado sistema de avaliação de fundos de investimento e outros ativos, cerca de 25% a 35% do comércio global destas matérias-primas passa pelo Estreito de Ormuz, que está praticamente bloqueada aos navios. O Irã é também o quarto maior exportador mundial de ureia, um fertilizante muito utilizado, a seguir à Rússia, Egito e Arábia Saudita, sendo que as exportações sauditas também foram afetadas pelo fechamento do estreito. Os preços da ureia egípcia, uma referência do setor, subiram mais de um terço desde o início do conflito com o Irão, de acordo com o CRU Group, um fornecedor de dados. Os preços do enxofre, utilizado nos fertilizantes, também dispararam. Quase metade das exportações globais de enxofre provém de países do Oriente Médio, informa o CRU Group.

Os ataques às infraestruturas energéticas da região, que já levaram o principal produtor do Catar a reduzir a produção de gás natural essencial para a fabricação de fertilizantes e dos seus insumos, podem afetar ainda mais o fornecimento. "O Estreito de Ormuz é fundamental para a produção global de alimentos", explicou Svein Tore Holsether, CEO da empresa química norueguesa Yara International.