Conflito no Oriente Médio: "Nunca senti tanto medo", diz jogador pernambucano no Kuwait
Nascido em Jaboatão dos Guararapes, Williams "Vassoura" está no país estrangeiro para disputar campeonato
Em viagem profissional ao Kuwait, o jogador pernambucano de futsal Williams Oliveira do Nascimento, conhecido como “Vassoura”, tem relatado nas redes sociais o clima de apreensão vivido por quem está no Oriente Médio nos últimos dias. Desde o início dos ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, no sábado (28), a escalada do conflito passou a impactar diretamente moradores e visitantes de países da região, como Emirados Árabes Unidos, Catar e Líbano, além do Kuwait.
Nascido em Jaboatão dos Guararapes, Williams foi eleito Melhor Jogador do Mundo de Futebol 7 em 2018 e já foi quatro vezes campeão do mundo, integrando a seleção brasileira de Futebol 7. Ele está fora do Brasil para jogar um campeonato, adiado por dois dias devido à situação. Segundo o pernambucano, a previsão é de que em “dois ou três dias” a competição possa continuar normalmente.
Nos stories do Instagram, rede social onde acumula mais de 420 mil seguidores, o atleta divide com os seguidores o medo de estar em um local visado pelos ataques iranianos.
No último domingo (1), o jogador compartilhou um story com falas positivas. “Fica aquela sensação de que pode acontecer uma coisa a qualquer momento, mas eu tenho fé em Deus que tudo vai se acalmar, tudo vai ficar bem, e vamos prosseguir no nosso trabalho”, disse. Pouco tempo depois, apareceu com o semblante assustado e afirmou ter ouvido dois estrondos “absurdos”. Ao fundo, é possível escutar o soar de uma sirene.
“Ontem, antes de ontem, tava tranquilo” disse ele. Na sua fala, expressou preocupação pelos seus filhos, que não estão no país. “Deus abençoe nossos filhos, os filhos das pessoas que estão aqui, tentando trabalhar.”
Denúncia e pedidos de ajuda
Em uma das postagens, Williams denunciou a ineficiência da embaixada brasileira no Kuwait, que não respondia às suas tentativas de contato. É impossível deixar o país ou vias comuns no momento, uma vez que as fronteiras estão fechadas. O aeroporto internacional do país, alvo de ataque iraniano que deixou feridos no último sábado, está fechado.
Ele chegou a publicar um apelo ao presidente Lula e ao deputado federal Nikolas Ferreira. “Não sei a quem pedir ajuda, todos aflitos no país”, escreveu. “Quem souber a quem eu poderia pedir ajuda, falem, por favor.”
O jogador conta que passou por duas situações parecidas em outros países, durante confrontos bélicos: uma vez em 2015, na Ucrânia, e em 2018, também no Kuwait, mas que nunca tinha sentido tanto medo. “Foram dois mísseis interceptados pelo Kuwait que caíram próximo do hotel”.
Hoje
A última atualização de Williams, até o fechamento da matéria, foi às 11h da manhã desta segunda-feira (2) no horário de Brasília — dez horas da noite no horário do país. Nos stories, o pernambucano afirmou que o dia seguiu normalmente no local: “A segurança aqui no Kuwait tá muito boa, tá bem eficaz. Foram mais de 300 mísseis interceptados.”