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Zelensky nega alegações russas sobre entrega de armas nucleares pelos aliados

O Reino Unido e a França já negaram também as alegações de Moscou

Por Isabel Alvarez

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, discursa durante uma coletiva de imprensa conjunta com o primeiro-ministro da Noruega, após conversas no Palácio Mariyinsky, em Kiev, em 25 de fevereiro de 2026, em meio à invasão russa da Ucrânia. (Foto de Genya Savlov / AFP)

Nesta quarta-feira (25), o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky rejeitou as acusações da Rússia sobre supostos planos do Reino Unido e da França para entregar armas nucleares à Ucrânia. "Normalmente, quando a Rússia falha em vencer no campo de batalha, começa a procurar uma arma nuclear no território da Ucrânia. Infelizmente, não existem armas nucleares na Ucrânia", disse Zelensky, acrescentando que tais alegações são uma tentativa de pressionar a Ucrânia durante as negociações de paz em curso.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, declarou na véspera alegadas informações obtidas pelos serviços de informações estrangeiras russos, que o governo britânico e francês estavam trabalhando ativamente nas rotas de fornecimento de armas nucleares para a Ucrânia. "Isto é uma flagrante violação de todas as normas e princípios do Direito Internacional sobre a não proliferação nuclear”, afirmou Peskov.

O Reino Unido e a França já negaram também as alegações de Moscou. "Esta é uma tentativa clara de Vladimir Putin para desviar a atenção das suas ações hediondas na Ucrânia. Não há verdade nenhuma nisso", afirmou um porta-voz do governo britânico.

A Ucrânia chegou a ter o terceiro maior arsenal nuclear do mundo, tendo renunciado em 1994 em troca de uma promessa de Moscou de que respeitaria plenamente a sua integridade territorial, e que, 20 anos depois, não foi cumprida, com a anexação da península da Crimeia e o conflito armado na região de Donbass.

Reconstrução da Ucrânia 

Além disso, Zelensky também anunciou que a Ucrânia enviará dois representantes para uma reunião amanhã (26), em Genebra, na Suíça, com os mediadores dos Estados Unidos para negociar um acordo para a reconstrução do seu país. “O primeiro ponto da agenda será o ‘Pacote da Prosperidade’, o pacote de reconstrução da Ucrânia, que será discutido em detalhes”, adiantou.

Kiev espera assinar um acordo com os norte-americanos e europeus que garanta o investimento estrangeiro após a guerra para reconstruir o país e recuperar e dinamizar a economia, extremamente afetado pelo conflito.

Segundo um relatório conjunto, divulgado na véspera do quarto aniversário da invasão russa, das autoridades ucranianas, Banco Mundial, União Europeia e Nações Unidas à reconstrução da Ucrânia esta estimada em aproximadamente 500 bilhões de euros na próxima década. O documento aponta os setores da habitação, dos transportes e da energia como os mais atingidos, sendo que os principais danos e necessidades se concentram em regiões próximas da frente de guerra e em grandes áreas urbanas do território.

Na terça-feira (24), líderes europeus também estiveram em Kiev e asseguraram o apoio ao país. Zelensky ainda pediu à União Europeia uma data concreta para a adesão do país ao bloco.

Em relação à próxima rodada de negociações trilaterais, com delegações dos EUA e da Rússia, o líder ucraniano disse que deve acontecer em breve, no início de março, considerando que o encontro resulte, pelo menos, em outra troca de prisioneiros.