Abel contaminado pelas doenças do futebol
Doenças do futebol
O técnico do Palmeiras, Abel Ferreira, resolveu diagnosticar a doença do futebol brasileiro. E muita gente aplaudiu. Disse que o ambiente está contaminado, criticou comportamentos e, como quase sempre, sobrou também para a imprensa. Em boa parte, ele tem razão. O problema é que Abel parece esquecer uma coisa incômoda: ele é parte desse futebol que diz estar doente. Não julgo sua competência como treinador. Os títulos pelo Palmeiras falam por ele. É um vencedor, um profissional de enorme capacidade e um dos grandes treinadores que passaram pelo futebol brasileiro. Mas troféu não é certificado de educação. A cena em que chutou um microfone para dentro do campo, no jogo contra o Mirassol, não pode ser tratada apenas como mais um momento de irritação. Foi uma demonstração pública de descontrole. E isso é particularmente grave em alguém que ocupa o comando de um dos maiores clubes do país. “Ele é assim” não pode ser desculpa. Grosseria não é personalidade. Xingamento não é liderança. Descontrole não é intensidade. Abel pode ser apaixonado, competitivo, inconformado. O futebol precisa disso. O que não precisa é de gente que confunda paixão com falta de respeito. Ele reclama da intolerância do futebol, mas muitas vezes contribui para torná-lo mais intolerante. Critica o ambiente, mas também participa dele. Condena a doença enquanto, em determinados momentos, apresenta alguns de seus sintomas mais evidentes. A imprensa erra? Claro que erra. Jornalistas também precisam ser cobrados. Mas uma pergunta ruim não justifica uma resposta agressiva. Uma crítica injusta não autoriza o desrespeito.
Reconhecer seus próprios sintomas
O futebol brasileiro não precisa de treinadores sem personalidade. Precisa de personalidade com educação e controle. Abel Ferreira tem autoridade para falar sobre futebol. Conquistou esse direito com trabalho e títulos. Mas, se realmente quer ajudar a curar o futebol brasileiro, precisa entender que o tratamento começa pelo seu comportamento. Porque quem aponta a doença dos outros também precisa ter coragem para reconhecer os próprios sintomas.
Mais quatro semanas
A resultado da auditoria no Sport vai demorar um pouco mais. A Kroll, consultoria que está fazendo o trabalho, solicitou uma dilação de quatro semanas para a entrega do relatório final, na terceira semana de setembro. Um dos motivos do atraso foi a dificuldade para localizar documentos solicitados pela empresa na base de dados do clube e, segundo apurado, alguns documentos aparentemente sequer existiam.
Qual o caminho?
O relatório da Kroll poderá abrir duas frentes. Os atos classificados como de “simples” gestão temerária serão encaminhados ao Conselho para que, depois dos trâmites e Assembleia Geral, os associados autorizem o clube a processar os responsáveis. Já os eventuais indícios de crime serão encaminhados ao Ministério Público, caso reúnam elementos para tal medida. Porém, tudo fica em segredo de Justiça.