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Zico prestigia pré-estreia de seu documentário no Recife e revive história com a cidade

O Galinho marcou presença no lançamento de "Zico – O Samurai de Quintino", cinebiografia que mergulha em sua intimidade e carreira

Por Caio Antunes e Gabriel Farias

Pré-estreia do filme "Zico - O Samurai de Quintino"

Recife recebeu, nesta sexta-feira (20), um dos maiores jogadores do futebol brasileiro: Arthur Antunes Coimbra, o Zico, que desembarcou na capital pernambucana para a pré-estreia de "Zico – O Samurai de Quintino", documentário que mergulha na vida e da carreira do lendário camisa 10.

Cercado pelo calor do público pernambucano, no Cinemark RioMar, Zico comentou a importância do lançamento da obra para o esporte no país.

"Eu acho que o cinema abre um espaço importante porque nós temos muito pouco. O Brasil é muito grande no esporte e tem muito pouco registro. Não vou dizer só dos nomes, mas de clubes, de seleção. O esporte é muito pouco lembrado; parece que as pessoas já apagam o passado de uma tal maneira, e o Brasil é grandioso. Então, ser um desses que vai ficar para sempre é gratificante", afirmou o Galinho.

Zico – O Samurai de Quintino

O documentário apresenta um olhar original e íntimo sobre o craque. Longe de ser apenas um compilado de gols, "O Samurai de Quintino" investiga as diversas dimensões da personalidade de Zico, utilizando um arquivo pessoal até então inédito. A obra costura sua trajetória como ídolo máximo do Flamengo, atuações pela Seleção Brasileira e sua revolução no futebol do Japão.

Com depoimentos de peso, como os de Ronaldo Fenômeno, do parceiro de longa data Maestro Júnior, além de amigos e familiares, o filme revela a intimidade do lendário camisa 10. O fio condutor é o fascinante "Spirit of Zico": uma identidade moldada na disciplina e nos valores do subúrbio do Rio, mas que encontrou no Japão o terreno fértil para uma ressurreição profissional e pessoal.

Para Zico, o papel de ídolo vai além das quatro linhas.

"Eu acho que a gente sabe que inspira muita gente. É passar para essas gerações que não é só no futebol; é na música, na arte, na medicina... você inspira pessoas. Então, você tem que saber essa sua responsabilidade. O torcedor entende a minha dedicação à profissão, o amor que eu sempre tive e o profissionalismo do início ao fim. Ganhando ou perdendo, você continua ali na mesma batida, procurando honrar as camisas que veste."

 

 

Lesão antes do Mundial de 86 e o brilho no Arruda

Um dos momentos mais impactantes da noite aconteceu quando Zico relembrou a conexão entre o Recife e a Copa do Mundo de 1986. Após uma grave lesão no joelho sofrida no final de 85, o Galinho vivia uma corrida contra o tempo para estar no México.

O palco da "prova final" foi o Estádio do Arruda, no dia 30 de abril de 1986. Naquela tarde, em um amistoso contra a Iugoslávia, Zico anotou três gols, com direito a gol de calcanhar. A atuação de gala em solo pernambucano foi o carimbo definitivo para o Mundial, mas, como o próprio craque revelou na pré-estreia de seu documentário, o preço pago foi alto.

"É bacana voltar ao Recife. Foi memorável, foi fantástico. Mas, por causa daquele gol (e daquela atuação), acabei desrespeitando o meu coração, que falava para não ir. Eu não tinha condições. Tinha uma lesão séria, tanto que fiquei nove meses parado quando operei. Fazer aqueles três gols aqui foi complicado, mas sempre vale a pena."

Mesmo com os gols no Recife, Zico chegou ao México como reserva, sendo utilizado apenas no decorrer das partidas pelo técnico Telê Santana. A eliminação para a França, nos pênaltis, após o empate por 1 a 1 (partida em que Zico entrou no segundo tempo), encerrou um ciclo de 48 gols em 71 jogos pela Amarelinha.

"Eu estava tentando recuperar, estava com um problema no joelho e continuei com o problema. Mesmo passando os gols (no Recife), eu continuei. Foi complicado", relembrou Zico.

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