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"Não vamos ficar chorando", diz Lula sobre tarifas dos EUA

Presidente do Brasil havia anunciado que utilizaria Lei de Reciprocidade, mas Geraldo Alckmin descartou retalização

Por AFP

Lula discursa durante a assinatura da lei que cria linha de crédito para empresas afetadas pelas novas tarifas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (22) que seu governo não vai ficar "chorando" e buscará novos mercados diante da tarifa de 25% que os Estados Unidos impuseram a diversos produtos brasileiros.

A sobretaxa entrou em vigor nesta quarta-feira, após uma investigação conduzida por Washington sobre supostas práticas comerciais desleais por parte da maior economia da América Latina. O Brasil rejeita a acusação e considera a tarifa injusta.

"Não vamos ficar chorando produto que a gente não vendeu para eles, porque nós vamos procurar outros compradores", disse Lula durante o anúncio de um plano de crédito destinado aos setores afetados pela sobretaxa.

Inicialmente, o presidente havia anunciado que utilizaria uma lei de reciprocidade comercial. No entanto, seu vice-presidente, Geraldo Alckmin, abaixou o tom na terça-feira (21) ao descartar uma retaliação.

"A gente não vai sair da mesa de negociação. Eles que não querem negociar", afirmou Lula nesta quarta-feira.

As sobretaxas se desenham como um importante ponto de conflito na corrida para as eleições presidenciais de outubro, nas quais Lula enfrentará o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado do presidente americano, Donald Trump.

O governo disponibilizará créditos no valor de 18,5 bilhões de reais para as empresas afetadas e anunciou que ajudará a "diversificar" seus mercados. Produtos como carne bovina e café ficaram isentos da nova tarifa, mas os setores de máquinas, calçados, madeira e plásticos serão atingidos.

O Brasil está entre os vários países que poderão, em breve, estar sujeitos a novas tarifas de 12,5% por não imporem restrições à importação de bens produzidos com trabalho forçado.

O governo Lula rejeita essa acusação feita por Washington e espera que, caso essa segunda sobretaxa seja aplicada, ela não seja cumulativa com a tarifa de 25%, declarou aos jornalistas o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.