° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

Exportadores de café defendem nos EUA isenção de tarifas para o produto

Conselho dos Exportadores de Café do Brasil falou na audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, em Washington

Por Estadão Conteúdo

Fachada do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR)

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) defendeu na segunda-feira (6) que o governo dos Estados Unidos mantenha a isenção tarifária concedida à maior parte dos produtos de café brasileiros e estenda o benefício ao café solúvel sem adição de aromatizantes.

Em depoimento apresentado durante audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que realiza a investigação comercial da Seção 301 contra o Brasil, o diretor-geral da entidade, Marcos Matos, afirmou que o café brasileiro é "insubstituível" para o mercado norte-americano e alertou que a imposição de tarifas elevaria custos para a indústria e para os consumidores dos Estados Unidos.

Segundo Matos, o Brasil responde por mais de 30% do mercado de café dos Estados Unidos e é o principal fornecedor do país. "Os cafés brasileiros não podem ser substituídos de forma viável", afirmou. O executivo ressaltou ainda que o Brasil tem uma cadeia produtiva "organizada, eficiente e transparente", capaz de garantir o abastecimento sustentável da indústria norte-americana.

O principal pleito da entidade é a inclusão do café solúvel sem aromatizantes (HTS 2101.11.21) na lista de produtos isentos das tarifas da Seção 301. De acordo com o depoimento, os Estados Unidos praticamente não produzem esse tipo de café, embora ele seja um insumo essencial para bebidas prontas para consumo (RTD) e cold brew, categorias consumidas diariamente por cerca de 53 milhões de adultos no país. Sem a isenção, argumenta o Cecafé, fabricantes norte-americanos de produtos de maior valor agregado ficam em desvantagem competitiva frente a concorrentes estrangeiros.

A entidade informou ainda que, em 2025, o Brasil exportou perto de 15 milhões de quilos de café solúvel sem aromatizantes para os Estados Unidos, volume equivalente, em média, a mais de 30% das importações norte-americanas desse produto nos últimos cinco anos.