° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

Flávio Bolsonaro diz ao governo Trump que impor tarifas ao Brasil favorece Lula

Em uma audiência pública em Washington, no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Flávio Bolsonaro se apresentou como defensor do setor exportador brasileiro

Por AFP

Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu nesta terça-feira (7) ao governo de Donald Trump que não imponha tarifas ao Brasil porque, em sua opinião, elas beneficiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em uma audiência pública em Washington, no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Flávio Bolsonaro se apresentou como defensor do setor exportador brasileiro.

"Cada tarifa adicional está beneficiando o governo que supostamente se pretende pressionar", afirmou Bolsonaro diante de um painel de autoridades governamentais.

O USTR propôs, no começo de junho, impor uma tarifa geral de 25% sobre diversos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, após uma investigação sobre supostas práticas comerciais desleais.

O governo deve tomar uma decisão até o dia 15 de julho e, para ouvir os argumentos de todas as partes, organizou audiências com cerca de 80 participantes ao longo de dois dias.

Trump promulgou, em abril do ano passado, uma série de tarifas alfandegárias generalizadas que alteraram o panorama do comércio mundial.

Essa política tarifária, que Trump apresentava como uma arma decisiva de negociação, foi posteriormente invalidada em grande parte pela Suprema Corte em fevereiro deste ano.

"Os dados de 2025 mostram que essas tarifas não produziram os resultados que os Estados Unidos pretendiam: ao contrário, foram exploradas politicamente pela atual administração do Brasil", advertiu Flávio Bolsonaro.

O senador estava acompanhado de seu irmão Eduardo, que vive nos Estados Unidos e foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de prisão por tentar coagir os ministros do supremo e articular sanções contra o Brasil para atrapalhar o julgamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por golpe de Estado.

"O próprio governo que supostamente essas medidas deveriam pressionar ganhou força nas pesquisas, enquanto o comércio do Brasil com a China atingiu o valor recorde de 171 bilhões de dólares", afirmou Flávio Bolsonaro.

"A China absorveu as exportações brasileiras que foram deslocadas do mercado norte-americano por essas tarifas", acrescentou.

Diante do impacto inflacionário das tarifas, Washington eliminou as taxas alfandegárias sobre os principais produtos agropecuários, como carne bovina, café e tomates do Brasil.

"Peço respeitosamente a este comitê que não imponha tarifas ao Brasil", concluiu Bolsonaro.

As exportações de bens dos Estados Unidos para o Brasil em 2025 alcançaram 54,4 bilhões de dólares, em comparação com quase 40 bilhões de dólares em importações, segundo dados do USTR.

A investigação do USTR sobre o Brasil concentra-se no comércio digital e nos serviços bancários, no combate à corrupção, na proteção da propriedade intelectual, no acesso ao mercado de etanol e nas consequências do desmatamento ilegal.