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Ministro Tomé Franca projeta leilão do Terminal de Passageiros do Porto do Recife ainda para 2026

Aguardada desde o ano passado, obras do Terminal de Passageiros prevê a modernização da estrutura voltada ao turismo, com novos serviços, lojas e espaços de convivência

Por Mariana de Sousa

Ministro de Portos e Aeroportos Tomé Franca

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, reforçou que o Governo Federal tem trabalhado para realizar ainda em 2026 o leilão da concessão do Terminal Marítimo de Passageiros do Porto do Recife. A confirmação foi feita durante entrevista exclusiva ao Diario de Pernambuco, nesta quarta (6).

“A gente está dialogando com a administração do Porto do Recife pra colocar o leilão ainda esse ano. A ideia é ter um gestor privado que possa fazer investimento, manutenção e dar mais conforto ao turista, com lojas, restaurante e praça de alimentação”, destacou o líder da pasta.

A iniciativa, aguardada desde o ano passado, prevê a modernização da estrutura voltada ao turismo, com novos serviços, lojas e espaços de convivência, ampliando a relação entre o porto e a cidade. Segundo o ministro, o projeto busca atrair investimento privado para qualificar a recepção de cruzeiristas e visitantes.

Ele destacou ainda o potencial turístico da área portuária. “O Porto do Recife é muito bem localizado. Essa relação porto-cidade precisa ser melhor explorada, inclusive para quem mora aqui”, acrescentou.

Além do leilão, o Governo Federal já investiu R$ 100 milhões na dragagem do Porto do Recife, garantindo sua operação, e ainda deve investir mas R$ 15 milhões na defesa portuária, com equipamentos de proteção para os navios que ancoram no local.

Retomada de voo para a África e novas rotas

O ministro também celebrou a retomada do voo internacional entre Recife e Praia, capital de Cabo Verde, operado pela TACV. A rota, suspensa durante a pandemia, volta a funcionar com frequência semanal, sendo uma iniciativa que atende a uma diretriz do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Era uma prioridade do presidente Lula, pela relação que ele tem com a África e também pelo potencial comercial e turístico dessa conexão”.

O governo também negocia a ampliação de voos internacionais no Nordeste. Entre as conversas em andamento, estão tratativas com companhias aéreas para expandir a malha na região.

“A gente está conversando com todas as companhias. Recife é uma opção para novos voos, inclusive com empresas internacionais que ainda têm pouca presença na América do Sul”, disse o ministro citando o interesse da Emirates em ampliar operações no Brasil. “Eles querem voar mais para o país e o Nordeste entra como possibilidade”.

Combustível pressiona passagens

O ministro também reconheceu que o aumento do querosene de aviação (QAV) tem impacto direto no preço das passagens. Segundo Franca, o combustível representa até 40% do custo das companhias aéreas.

“Tivemos um aumento de cerca de 50% no combustível. Isso naturalmente impacta o preço da passagem. É claro que o impacto do tamanho que a gente está sofrendo, com relação ao aumento do preço, não se consegue zerar”, explicou.

Para amenizar os efeitos, o governo federal adotou medidas emergenciais. “Criamos linhas de financiamento, adiamos taxas e zeramos PIS e Cofins sobre o combustível. Óbvio que não resolve 100%, mas reduz o impacto”.

Dados apresentados na entrevista pelo presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Chagas Faierstein, indicariam que a tarifa média aérea no Brasil ficou em torno de R$ 650 em 2025, uma das mais baixas do mundo.

“Menos de 8% das passagens foram acima de R$ 1.500. A gente tem uma das menores tarifas médias do mundo”, assegurou. Apesar disso, ele reconheceu a percepção negativa dos passageiros. “Existe uma diferença entre o dado real e a percepção popular. O setor precisa melhorar a comunicação”.

Infraestrutura e investimentos

O ministro destacou ainda os investimentos em infraestrutura no setor aeroportuário. Foram cerca de R$ 9 bilhões aplicados por concessionárias nos últimos anos.

Em Pernambuco, os aportes incluem melhorias no Aeroporto Internacional do Recife e em aeroportos regionais.

No setor portuário, houve crescimento na movimentação de cargas e ampliação de investimentos privados, que passaram de R$ 7 bilhões para cerca de R$ 40 bilhões no comparativo recente entre gestões.