98% das empresas de tecnologia no Brasil têm dificuldade para contratar profissionais qualificados
Pesquisa revela que falta de conhecimento técnico e carência de profissionais de IA travam o mercado
Cerca de 98% das empresas de tecnologia no Brasil enfrentam dificuldades para encontrar profissionais qualificados. É o que aponta a pesquisa “Mercado de Trabalho Tech: Raio-X e Tendências”, desenvolvida pela Ford em parceria com o Instituto Datafolha.
Para o estudo, foram entrevistados 250 líderes de RH e Tecnologia da Informação de médias e grandes empresas para compreender os principais desafios e tendências do setor. A amostra abrange profissionais responsáveis por contratações em todas as regiões do país, em segmentos como tecnologia, varejo, serviços, educação, finanças e saúde.
Segundo a pesquisa, os resultados mostraram que 72% das empresas afirmaram que a falta de conhecimento técnico é um dos principais desafios, seguido pela ausência de experiência (54%).
No que diz respeito ao tempo de contratação, 14% das empresas conseguem fazê-la em menos de um mês, enquanto 50% levam entre um e dois meses, 25% demoram de dois a três meses e 11% chegam a exceder quatro meses de busca. O LinkedIn consolida-se como a principal ferramenta de recrutamento para 60% das organizações.
Já em relação às habilidades técnicas, a pesquisa aponta que as posições “mais difíceis de preencher” são: especialistas em Inteligência Artificial (35%) e engenheiros de software (31%). Conhecimentos em Segurança da Informação (30%) e Inteligência Artificial e Machine Learning (29%) são os mais escassos.
De acordo com a pesquisa, ter competência técnica não é suficiente, uma vez que 37% das empresas rejeitam candidatos “tecnicamente aptos" devido à falta de “soft skills”, que são habilidades socioemocionais. Conforme o estudo, as habilidades mais difíceis de encontrar são Inteligência Emocional (36%) e Pensamento Crítico e Capacidade de Resolver Problemas (33%).
Outro ponto considerado relevante é a falta de domínio do inglês; cerca de 78% das empresas desclassificam candidatos que não apresentem o idioma.
Geração Z
O estudo também aponta as prioridades da Geração Z. Para o público mais jovem, o salário (53%), a flexibilidade na jornada de trabalho (49%) e equilíbrio entre vida pessoal e profissional (39%) são os principais fatores na hora de decidir onde trabalhar.
Em paralelo, 93% das empresas admitem ter dificuldades em encontrar candidatos de grupos sub-representados, como pessoas em condição de vulnerabilidade.
"A pesquisa mostra que precisamos ir além da qualificação técnica. A demanda por habilidades como inteligência emocional e pensamento crítico é imensa e continuará crescendo", pontua Fernanda Ramos, diretora de Recursos Humanos da Ford América do Sul.
Inteligência Artificial
Projetando os próximos dois anos, a Inteligência Artificial é citada por 46% das empresas como o principal motor de mudança no mercado de tecnologia. A necessidade de qualificação profissional aparece em segundo lugar (29%), seguida por inovações tecnológicas (17%). A pesquisa prevê ainda que as “soft skills” serão as habilidades mais difíceis de encontrar no futuro (citadas por 50% das empresas), superando as “hard skills”, que são as formações (44%).
“A pesquisa mostra que a Inteligência Artificial já está mudando o mercado, mas para que ela entregue valor real é preciso ter dados organizados, contexto e profissionais preparados para transformar informação em decisão. Quando vemos que IA, Machine Learning e Segurança da Informação estão entre as áreas mais difíceis de contratar, fica claro que o desafio das empresas é duplo: investir em tecnologia e, ao mesmo tempo, desenvolver talentos e fortalecer sua base de dados”, afirma Djalma Brighenti, diretor de TI da Ford América do Sul.
Para Pamela Paiffer, diretora de Comunicação e Responsabilidade Social da Ford América do Sul, os dados mostrados no estudo reforçam o “descompasso entre a velocidade da inovação e a disponibilidade de profissionais qualificados é um dos grandes desafios do mercado hoje”.