Pressão do barril do petróleo não aumenta preços de imediato
Segundo economistas, a Petrobras não repassa de imediato os aumentos ao consumidor
O preço do barril de petróleo teve um aumento de mais de 5%, nesta segunda-feira (20), após o Irã retomar o fechamento do Estreito de Ormuz no final de semana. No entanto, segundo economistas, isso não significa que os combustíveis derivados do óleo bruto, como a gasolina e o diesel, passarão, necessariamente, por aumento ao consumidor.
O economista e professor do Centro Universitário UniFBV Wyden Filipe Braga relembra que a Petrobras, responsável por repassar o valor final do preço do litro no Brasil, não repassa de imediato o aumento do petróleo porque costuma esperar o valor variar.
Se o barril subir muito nos próximos dias, é provável que o aumento seja sentido em toda cadeia produtiva até chegar às bombas. Por outro lado, caso o valor caia, por exemplo, em razão de acordos entre os Estados Unidos e o Irã, a estatal poderá não repassar aumento algum.
“Então, o repasse do valor do petróleo para os combustíveis pela Petrobras é suavizado. Não é possível saber qual será o valor de aumento e nem quando será esse repasse, porque depende de uma alteração, ou seja, um futuro geopolítico da negociação”, afirma o economista. Na avaliação dele, se a Petrobras alterasse o valor do barril do petróleo equivalente à alteração do preço do combustível, o Brasil teria um aumento de gasolina e diesel “muito rápido e de um dia para o outro”.
“A Petrobras tem essa possibilidade de ‘poder segurar um pouco’ os prejuízos por ser uma empresa pública, que tem em seu estatuto (o objetivo de) ajudar a população e não só ter lucro. Então, ela consegue segurar essa precificação”, explica.
Além disso, Braga comenta que “se a Petrobras mantiver tudo o que vem fazendo, ela não vai passar esse aumento do barril do petróleo para as distribuidoras, que consequentemente, não vão aumentar ainda o preço do combustível”.
Normalmente, segundo o economista, a estatal anuncia o aumento do combustível para os distribuidores e, até esta segunda, não havia anúncio programado. Ainda assim, ele salienta que, ao longo da semana, pode vir a acontecer.
“Comportamentos defensivos”
Embora a Petrobras aguarde a variação do mercado do petróleo antes de definir se haverá aumento ou não, o economista e professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco Luís Maia descreve como um “comportamento defensivo”.
“Então, o que está acontecendo é um grau de incerteza muito elevado, fazendo com que as pessoas pratiquem preços que não são estritamente falando, abusivos. Eles são, na verdade, defensivos, porque eles tentam estimar o que vai acontecer no mercado nos próximos, nas próximas semanas”, afirma o professor.