Raízen apresenta plano de recuperação extrajudicial para dívidas de R$ 65 bilhões
Plano busca preservar caixa da companhia antes do início da safra de cana e prevê suspensão temporária do pagamento de dívidas financeiras
A produtora de açúcar e etanol e distribuidora de combustíveis Raízen protocolou um plano de recuperação extrajudicial para reorganizar suas obrigações financeiras. De acordo com informações do CNN Money, a iniciativa já conta com o apoio de credores que representam mais de 40% do total da dívida da companhia.
No documento protocolado, a empresa incluiu cerca de R$ 65 bilhões em dívidas concursais. Apesar do volume elevado de compromissos financeiros, a companhia teria encerrado o mês de dezembro com R$ 17,3 bilhões disponíveis em caixa.
A estrutura do endividamento está dividida entre diferentes grupos de credores. Aproximadamente metade da dívida está concentrada em instituições bancárias. O restante está distribuído entre bondholders, detentores de CRAs e debenturistas.
Com o plano, a Raízen pretende criar um período de maior proteção financeira para preservar liquidez. A estratégia ganha relevância diante da proximidade do início da safra de cana-de-açúcar, fase em que o setor costuma demandar maior volume de capital de giro.
Nesse tipo de mecanismo de renegociação, apenas o pagamento das dívidas financeiras é temporariamente suspenso. Os compromissos com fornecedores e demais operações correntes da empresa continuam sendo honrados normalmente.
Dias antes, na última quarta-feira (4), a companhia já havia sinalizado essa possibilidade ao mercado. Em fato relevante divulgado na ocasião, informou que avaliava a adoção de uma solução "abrangente e definitiva" voltada ao fortalecimento de sua estrutura de capital e mencionou a recuperação extrajudicial como uma alternativa em análise.
O comunicado também detalhou uma proposta em estudo que prevê uma injeção de recursos de R$ 4 bilhões. Desse total, R$ 3,5 bilhões seriam aportados pelo Grupo Shell, enquanto outros R$ 500 milhões viriam de um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos, ligada à família do acionista controlador da Cosan.