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Em recuperação judicial, Pão de Açúcar tem 15 lojas em Pernambuco

A empresa protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas não operacionais

Por Mariana de Sousa

Acordo com credores prevê reestruturação de R$ 4,5 bilhões em dívidas e foi aprovado pelo conselho da companhia

Em processo de recuperação judicial, anunciada nesta terça-feira (10), o Grupo Pão de Açúcar (GPA) mantém atualmente 15 lojas em Pernambuco, estado que marcou a entrada da rede no Nordeste e onde a companhia iniciou sua estratégia regional com uma unidade considerada referência em sustentabilidade.

Presente no mercado pernambucano há décadas, a empresa está em processo de reorganização financeira após protocolar o pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas não operacionais.

Em 2012, o grupo inaugurou em Pernambuco, a primeira unidade do conceito de “loja verde” do Pão de Açúcar, na Avenida Bernardo Vieira de Melo, no bairro de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. O modelo era focado em práticas sustentáveis, e recebeu investimento superior a R$ 20 milhões, com potencial de geração de até 300 empregos diretos e indiretos.

A loja foi a primeira do tipo no Nordeste e a sétima do país a adotar o conceito. O projeto incorporou medidas como redução no consumo de água e energia, descarte adequado de resíduos e incentivo ao uso de materiais recicláveis.

Após a inauguração da primeira unidade, o grupo ampliou a presença no estado com outros formatos de loja, como o Minuto Pão de Açúcar, voltado ao modelo de proximidade, lançado em 2015 no bairro de Boa Viagem, e o Minimercado Extra, voltado a unidades de bairro.

No BrasiL, de acordo com dados do relatório do 4º trimestre de 2025, o grupo tem 728 unidades divididas incluindo o Minuto Pão de Açúcar (221), Pão de Açúcar (187), Extra Mercado (164) e Mini Extra (155).

Mudanças no portfólio

Nos últimos anos, o grupo também passou por mudanças em seu portfólio de marcas. Em outubro de 2021, o GPA anunciou a venda de 71 lojas da bandeira Extra para o Assaí Atacadista, encerrando gradualmente a operação da marca no formato de hipermercados. As unidades que permaneceram sob controle da companhia foram convertidas para outras bandeiras do grupo, como Pão de Açúcar ou Mercado Extra.

Reestruturação financeira

Enquanto mantém suas operações no estado e em outras regiões do país, o GPA busca reorganizar sua estrutura financeira. A companhia protocolou pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas sem garantia, que não envolvem compromissos operacionais.

Segundo a empresa, o plano já conta com a adesão de 46% dos credores, equivalente a cerca de R$ 2,1 bilhões, percentual acima do mínimo legal necessário para iniciar o processo.

O acordo prevê a suspensão temporária das obrigações com os credores incluídos no plano por 90 dias, período em que a empresa pretende avançar nas negociações para obter apoio da maioria dos credores e concluir a reestruturação.

No balanço mais recente, o GPA informou que sua dívida líquida atingiu R$ 2 bilhões ao final de 2025, aumento de R$ 729 milhões em relação ao ano anterior.