Exame de sangue que detecta Alzheimer chega ao Brasil
Teste mede a proteína p-tau217 no sangue e pode facilitar a investigação de quem já apresenta sinais cognitivos
Um exame de sangue capaz de indicar se o cérebro apresenta as marcas biológicas do Alzheimer passou a ser oferecido no Brasil nesta quinta-feira (15/10), por enquanto apenas no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS). Em boa parte dos casos o teste dispensa a punção lombar ou exame de imagem usado hoje para confirmar a doença.
A oferta da tecnologia ocorre por enquanto de maneira privada, por um valor estimado em cerca de R$ 3 mil, com planejamento para integração a planos de saúde e ao Sistema Único de Saúde (SUS) ainda em 2026 por meio de parcerias via Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS).
O exame mede a proteína p-tau217 no sangue, uma versão quimicamente modificada da proteína tau, presente nas células nervosas. Seus níveis no sangue acompanham o acúmulo de placas de beta-amiloide, uma proteína que se deposita no cérebro e é uma das marcas biológicas do Alzheimer.
O resultado positivo sozinho, porém, não basta para afirmar que há demência causada pela doença, e sim um sinal indireto de alteração. O resultado pode ser positivo, negativo ou inconclusivo, com uma estimativa de 15% a 20% dos testes que caem nesta faixa intermediária. Nesses casos, o médico pode solicitar uma tomografia, análise do líquor ou repetir o exame de sangue depois de 12 meses.
O exame se destina à investigação da doença em fase clínica, quando os sintomas já apareceram, e o pedido parte do médico que acompanha o paciente.
De acordo com Eduardo Zimmer, Head de Pesquisa da Unidade de Neurociência do Hospital Moinhos de Vento e responsável pela implementação do exame no hospital, o recurso busca oferecer uma informação adicional para apoiar o diagnóstico do médico especialista, devendo ser analisado em conjunto com a avaliação do estado mental, histórico do paciente e exames complementares, contribuindo para que o paciente tenha uma jornada diagnóstica mais precisa e objetiva.
Atualmente, o diagnóstico da enfermidade são realizados com métodos de alto custo e também mais invasivos, como a punção lombar para coleta do líquido cefalorraquidiano (LCR) e a tomografia por emissão de pósitrons (PET) para mapeamento da proteína amilóide. “Nesse cenário, o exame p-tau217 representa uma alternativa transformadora e custo-efetiva, que consegue identificar os sinais biológicos da doença de forma menos invasiva pela análise no sangue”, aponta Zimmer.