Construir em Portugal: oportunidades para o investimento brasileiro
Por Ivo Tinô do Amaral Junior*
A proposta apresentada pela Embaixada do Brasil para viabilizar crédito à aquisição de moradia por brasileiros residentes em Portugal abre uma discussão que merece ir além do financiamento à compra. Ainda em fase de avaliação, a iniciativa também convida a pensar como o capital e a experiência brasileiros podem contribuir para ampliar a oferta de habitações em território português.
Portugal desperta interesse de investidores, mas enfrenta dificuldades de acesso à moradia que atingem portugueses e imigrantes. Nesse cenário, investir na construção de novas unidades permite aproximar oportunidade econômica e necessidade social. O desafio é criar condições para que mais pessoas encontrem onde morar.
O Brasil tem experiência a oferecer. Nossa construção civil reúne empresas capazes de executar empreendimentos em escala, com planejamento, qualidade e prazos competitivos. Métodos industrializados, padronização de processos e gestão de custos podem contribuir para projetos em Portugal, desde que adaptados às normas, à mão de obra e às características locais.
Essa participação pode ocorrer pela internacionalização de construtoras brasileiras ou por parcerias com empresas que já atuam no mercado português. Para quem deseja investir sem assumir diretamente a execução de uma obra, associar capital a conhecimento local pode abrir caminhos.
Há espaço tanto para investidores individuais quanto para grupos interessados em participar de empreendimentos específicos. Conforme a estrutura jurídica e contratual adotada, a participação pode prever o recebimento de unidades habitacionais ou resultados financeiros vinculados ao negócio. São possibilidades familiares ao empresário brasileiro habituado a sociedades e parcerias imobiliárias, embora exijam atenção às particularidades portuguesas, aos riscos e à tributação nos dois países.
A escolha de parceiros, a análise da viabilidade e a definição clara das responsabilidades são fundamentais. Nesse percurso, profissionais e escritórios de advocacia com atuação integrada a parceiros de engenharia, arquitetura, contabilidade e finanças podem oferecer uma avaliação mais completa do empreendimento. A proximidade cultural facilita o diálogo, mas a confiança precisa estar acompanhada de planejamento e segurança jurídica.
As câmaras de comércio podem contribuir nessa aproximação, conectando investidores, construtoras e profissionais dos dois mercados. Existe uma oportunidade de transformar afinidades históricas em projetos concretos, capazes de gerar atividade econômica e novas moradias.
O próximo passo da relação imobiliária entre Brasil e Portugal pode estar justamente aí: somar à disposição de comprar a capacidade de construir. Quando o investimento amplia a oferta e responde às necessidades de quem vive no país, o retorno pode alcançar o investidor, a economia e a comunidade.
*Ivo Tinô do Amaral Junior é advogado e presidente da Câmara Portuguesa de Comércio de Pernambuco