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Por que ainda precisamos falar de Outubro Rosa?

Por Márcia Pedrosa

Campanha Outubro Rosa destaca combate e prevenção ao câncer de mama

Anualmente, o mês de outubro chega acompanhado de uma onda cor-de-rosa: faixas nos prédios, iluminações especiais, laços na lapela e uma enxurrada de postagens nas redes sociais. Para quem está na linha de frente da oncologia, o movimento é bonito e necessário, mas é fundamental que a conscientização se transforme em acesso, diagnóstico e tratamento no tempo certo.


O câncer de mama continua sendo o de maior incidência entre as mulheres no Brasil, fora os de pele não melanoma. Por trás dos dados estatísticos, existem rotinas interrompidas e medos que, muitas vezes, adiam a busca por ajuda. Fala-se bastante sobre a importância do autocuidado e de conhecer o próprio corpo. O autoexame é válido para que a mulher perceba alterações, mas ele não substitui o rastreamento técnico regular.


Quando um nódulo passa a ser palpável, a lesão frequentemente já não está no estágio inicial. O verdadeiro divisor de águas na redução da mortalidade é a detecção antes mesmo de qualquer sintoma físico, algo que só a mamografia consegue identificar. Descobrir a alteração nesse momento eleva as chances de cura para mais de 90% e permite condutas terapêuticas menos invasivas, preservando a qualidade de vida da paciente.


No Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), acompanhamos de perto a realidade do Sistema Único de Saúde em Pernambuco. Entendemos que o cuidado preventivo esbarra em dificuldades das mulheres quanto à sobrecarga de tarefas diárias, à falta de informação, ao receio do exame ou ao medo do próprio resultado. Muitas mulheres acabam colocando a própria saúde em último lugar na lista de prioridades da família.


O Outubro Rosa precisa cumprir o papel de interromper esses adiamentos. Cuidar de si não é luxo, é medida preventiva indispensável. A orientação de realizar a mamografia a partir dos 40 anos, seguindo a recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia, ou antes, caso haja indicação médica por histórico familiar, deve ser tratada como compromisso anual.


Mobilizar a sociedade só faz sentido quando a conscientização se desdobra em prática. Esperamos que a campanha deste ano sirva como um chamado direto para que as mulheres agendem seus exames e para que os serviços de saúde sigam firmes no compromisso de oferecer um atendimento resolutivo.


* Médica Márcia Pedrosa, Coordenadora do Centro de MAMA do IMIP