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Constituintes de 1988 lançam carta aberta e abaixo-assinado em defesa da Constituição

A mobilização busca ampliar o apoio à carta divulgada pelos ex-parlamentares preocupados com propostas de alterações profundas na Constituição

Por Diario de Pernambuco

Constituição Federal de 1988.

Um grupo de 20 integrantes da Assembleia Nacional Constituinte de 1988 lançou, nesta quinta-feira (15), uma carta aberta e um abaixo-assinado nacional em defesa da Constituição Federal e das instituições democráticas do país. 

A mobilização, articulada pelo ex-deputado Hermes Zaneti, está disponível na plataforma Change.org e busca ampliar o apoio à carta divulgada pelos ex-parlamentares preocupados com propostas de alterações profundas na Constituição, defendidas pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e por setores políticos identificados com a herança da ditadura militar.

A carta recupera uma das declarações mais conhecidas de Ulysses Guimarães, presidente da Assembleia Nacional Constituinte, durante a promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988: “Traidor da Constituição é traidor da Pátria.”

Os autores também reafirmam outra declaração de Ulysses: “A persistência da Constituição é a sobrevivência da democracia”. O abaixo-assinado está aberto à participação da sociedade brasileira, enquanto a carta continua recebendo adesões de outros integrantes da Assembleia Constituinte de 1988.

Veja a carta na íntegra: 

"Nós, constituintes de 1988, seriamente preocupados diante do cenário político pelo risco implícito no perfil de muitos dos futuros integrantes do Congresso Nacional e do candidato oposicionista à Presidência da República, alertamos a Nação para o fato de que os anunciados propósitos de reformar drasticamente a Carta promulgada há 38 anos implicam a sua descaracterização, com nefastas consequências.

Não há alarmismo em nosso repúdio às explícitas manifestações de alteração de dispositivos da Constituição essenciais à preservação da ordem democrática, em particular os referentes aos direitos cívicos e a instituições como o arcabouço jurídico.

Repudiamos a decisão dos que apoiam os herdeiros assumidos da ditadura, traindo sua história de portadores dos anseios democráticos que levaram ao fim do regime militar e à atual Constituição, já irresponsavelmente mutilada em dispositivos importantes como o Art. 192, relativo ao sistema financeiro, que ficou reduzido a um enunciado vazio.

Assumimos e apelamos à população que se some a nós ao reafirmar as palavras de Ulysses Guimarães ao promulgar a Constituição: '... discordar, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la, nunca. Traidor da Constituição é traidor da Pátria.'

'A persistência da Constituição é a sobrevivência da democracia', disse o presidente da Assembleia Constituinte naquela data, e o reafirmamos hoje"